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Wellington Amancio da Silva 
É professor da rede pública, músico, graduado em filosofia e mestre em Ecologia Humana. Publicou livros de ficção e de ensaios. Publicou-se dezenas artigos acadêmicos em revistas especializadas. É membro da equipe editorial da Revista Utsanga — Rivista di critica e linguaggi di ricerca. Fundou as Edições Parresia em 2019. Membro do GT Arborosa. Destacam-se “Ontologia e Linguagem” (2014), “Figuras da indiferença” (2019), “Gumbrecht leitor de Martin Heidegger” (2020), “o reneval” (2018), Primeiros poemas soturnos” (2009), “Apoteose de Demerval Carmo-Santo” (2019), “Os outros, sertão de argila escura (2021). Publicou de forma avulsa em várias revistas nacionais e internacionais.

Um conceito fundamental de estética —
O universo inteiro é um despencamento de coisas
Milhares de formas e de estruturas/ as substâncias
caem para todos os lados de nenhum lugar aparente

Os elementos cruzam aquilo que dizem ser o espaço
e algumas linhas invisíveis enganam a todos os olhares

As mãos acham que podem, mas a densidade...
A fúria dessas coisas todas que despencam...
A forma mesma do universo é cair

E no chão são esquecidas sob a poeira/
tais aos dentes de leite de deus que
onde caiam explodem em mil megatons

Outro conceito fundamental de estética —
Do despencamento formou-se o cosmos
As convenções as cifras e a vontade de comprar/
A roda de místicos semânticos converteu 
Pedras em avejões delirantes/ e logo
As infestações intratáveis de maribondos

Assim as mãos sem linhas dos autômatos
Fiaram em nosso tempo um véu inconsútil
Aquilo que chamamos de aporia
E este tempo feito bijuterias a embelezar os céus
(ditadura dos objetos de comprar)

Cara a cara a vergonha e os desavergonhados
E o fogo na santíssima fauna & flora
Queimando seres sem lógos   sem voz
Sem importância        sem dinheiro no bolso/miasma/
E a potência fétida da convenção

E quando Aristóteles disse — “o homem é um animal
Dotado de linguagem” — ele sabia que 
A besta faz da palavra presas em sua boca