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Walesca Cassundé
Nome literário de Walesca de Araújo Cassundé, cuiabana, residente em Campo Grande-MS. Formada em direito pela FUCMT. Advogada por opção e criminalista por vocação. Poeta por catarse, libertação física e purgação espiritual. Em março de 2017, lançou “Confissões Essenciais”, pela Ed. Gráfica Ruy Barbosa.

POEMINHA EXISTENCIALISTA

(inspirado na obra de Eduardo Mahon)

 

que sonhos eu tinha na juventude?

quantos projetos abandonei?

quantas renúncias me permiti

ao longo dos anos?

quantas de mim foram deixadas

em zonas limítrofes,

dos caminhos atalhados

que optei por percorrer?

a que sina me levaria aquela senda?

quantas verdades calei

apenas para ser gentil?

quantas vezes elogiei

acalentando interesses vis?

quantos gritos lancinantes de dor ouvi

que poderia ter evitado - ao menos tentado,

com uma dose de placebo?

quanto sofrimento desenhado

nas entrelinhas das palavras de alguém

eu ignorei por egoísmo,

comodidade ou impotência?

que imagens ignotas

trágicas, benfazejas,

censuráveis ou não,

terão os espelhos guardado

para apresentar-me à minha essência,

no dia do juízo final?

 

 

 

RETROSPECTIVA

 

levei para os anos oitenta

o estilo minimalista  

um  look riponga - roupas despojadas,

multicoloridas;

o anseio por liberdade,

 a luta por protagonismo

  e o desejo de mudar o mundo.

 

lutei  com  Dante por eleições diretas.

vi o fim da ditadura e, finalmente,

votei para eleger meu  presidente.

vi nascer um novo pacto social

e ouvi o discurso de Ulisses

que transcendia esperança

desde o  Planalto central .

 

dos anos noventa,

rrouxe comigo o espírito libertário

e a mente abastecida de ideias utópicas;

quisera  ver materializados os valores

que a constituição consagrou

-  equidade, trabalho, liberdade

e justiça para todos.

 

Veio o tempo da  maturidade

e me despedi dos cabelos de Gal Costa.

 

aprendi a conviver  com minhas imperfeições

e me pus mais composta;

mas nunca me arrependi de minhas escolhas

 nem jamais reneguei meus sentimentos.

 

continuo perseguindo a estrela solitária.

alguns me creem demasiado  ingênua,

outros,  atrevida,

muitos , ambivalente  e até mesmo hipócrita.

 

eu mesma  ainda me pergunto quem  sou;

as vezes luz difusa, as vezes sombra,

sigo por estradas turbulentas

 e caminhos acidentados,

em busca da minha essência.