© 2019 - Revista Literária Pixé.

  • Facebook

Vinícius Dallagnol Reis

(que escreve atualmente utilizando o pseudônimo de Nyll M. N. Louie-Halljssê) nasceu em Sinop no ano de 1992. Redige poemas desde os onze anos, tendo se embrenhado também na escrita de contos. Suas poesias foram laureadas quatro vezes no Varal de Poesias da Unemat. Outra delas (“Tentação”) foi escolhida para a seleção da Vivara Editora no Concurso Nacional Novos Poetas (2014). Em 2018, publicou sua primeira obra, uma breve coletânea de poemas intitulada “Escatolírica Nokturna”. Os principais temas de seus textos giram em torno dos símbolos da memória, da noite e da morte: para o autor, portanto, o ato literário significa “dar moradia às lembranças”. 

PIGMALIÃO VERSUS NARCISO

Tudo que Pigmalião mostra
Narciso esconde...

Narciso amou o que foi preciso
Pigmalião, o que foi precioso

Narciso sofria de depressão
Pigmalião, era apenas ansioso....

Tudo o que Narciso olhou virou pedra
o que Pigmalião amou, tornou-se ouro...

O segundo amou demasiado uma Outra a esmo
o primeiro, demasiado amou a Si mesmo...

A imagem que Pigmalião criou logo ganhou a vida
a refletida imagem de Narciso sugou-o para a morte

A sina de Pigmalião, à Galateia, lhe deu sorte
A de Narciso, à de Eco, lhe deu uma voz só de ida...

Ao primeiro olhar, o leitor dirá
que o Poeta pretere Narciso a Pigmalião 

Mas talvez o artista, como um e outro será:
pois Narciso era apenas uma outra espécie de Camaleão

Pigmalião imitava o que estava à sua volta
Narciso, o que encontrou no seu interior

 

E o poeta, como Endimião a admirar incisivo a lua
na sua loucura é Narciso; na sua Razão, Pigmalião:
Onde uns veem um portal e outros um espelho
ele pega o caminho do meio ―
é um deus mortal 
que transforma sua revolta em amor. 

Mesmo que o amor depois se torne medo...