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(Lilian Mattos) é cuiabana. Nasceu em 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, da Natureza e dos animais, datas que traduzem as inclinações naturais desta poeta, que declara ser de alma livre, eclética e universal. Passou parte da infância e adolescência na Rua de Baixo (atual 7 de Setembro), no centro histórico, entre o estreito das calçadas e o largo dos corações, e parte da maturidade no Porto, aprendendo com a fluidez das águas do rio Cuiabá. Conta que a veia artística herdou do pai e da família Mattos e a veia religiosa e espiritualista, da mãe e da família Monteiro da Silva. Seus poemas passeiam pelo romantismo e por uma abordagem zen, sempre em busca de profundidade. Sua página “Chamas”, no Facebook, tem mais de 6 mil seguidores.

Naquela árvore não havia frutos adormecidos
Nem flores guardadas
Nem raízes escondidas.

A seiva circulava livremente
E sem pecado, por todo lado
Penetrava espontaneamente
todo seu corpo-semente.

O tronco crescia feito poesia
Total, forte, ereto e aberto
Sustentando amorosamente a copa inteira
Feita de galhos e folhas
Vãos e silêncios
Luzes e sombras.

Naquela árvore a Vida se enamorava
Ininterruptamente da Vida.
Sem nenhum questionamento.
Esquecida dos homens e do tempo.

Naquela árvore eu encontrei Deus.

As mil vozes que ouço tagalerando sem parar dentro da minha cabeça,
não são minhas.

Mas essa voz que cala todas as outras
E ouve atentamente os mistérios da vida e do amor
Através do silêncio do meu coração, essa sim me pertence.