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Sylvia Cesco
Nasceu em Campo Grande, MS, em 04/06/1945.  Tem formação em Letras, Pedagogia e Psicopedagogia; Especialização em Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade de Taubaté/SP e Pós-Graduação em Educação e Supervisão Escolar pela USP/SP. Professora, também exerceu atividades de gestão pública e privada. É autora e diretora de peças de teatro, elaboradas com textos de poetas regionais, nacionais e internacionais. Letrista de composições gravadas por conhecidos músicos e corais de Campo Grande. Publicou: “Guavira Virou”; “Mulher do Mato”; “Sinhá Rendeira” “Aldravias” (Poesias); “Ave Marias Cheias de Raça” (Contos);  “Histórias de Dona Menina” (Literatura infanto-juvenil); “Três poetas, uma via: aldravia; A Glória desta Morena”, (Org.), antologia de contos e crônicas de autores de MS,  incluindo textos inéditos da profa.  Maria da Glória Sá. No prelo, seu livro de crônicas: “Um Palmo e Meio de Proseio”. Assumiu a presidência da União Brasileira de Escritores- UBE/MS.

AMANAJÉ 

Meus pobres irmãos, 
quão triste é sabê-los ...
Dói-me o coração, a voz me cala 
diante de tamanho desmazelo 
para com sua gente, povo primeiro
destas terras. 
Confesso que de onde estou 
não posso ouvi-los e nem vê-los :
-lá fora ,  há  algazarras e  buzinas de  carros  
celebrando sabe-se lá o quê ...
porém ,  posso senti-los 
como se guató  também eu fora,
ou quem sabe  guarani,  kadiweu ou índia terena ? 
 Sou uma auati irmanada  com suas dores plenas 
impedidos que são de ver nascer da  terra a flor
enquanto a pranteiam tal como a mãe que perde um filho
agonizando  sem voz, sem verde e sem   viço . 
 Oh, meus irmãos, pobres irmãos! 
Aqui, do meu tekoha urbano
também choro por  todos vocês, 
 pelos seus   frutos que murcharam antes da colheita,
seus  bichos  queimados em  fogueiras de ambição.
Quero juntar-me  à sua triste  sina de refazer o canto
dos jaós, das juritis, dos  sanhaços e sabiás. 
Deixem-me dar- lhes as mãos na travessia   
dos muros do impossível .
Oh, meu povo amado!
Até quando nossa dor invisível inda será  necessária? 
Até quando vão nos mostrar extensas garras de cobiça?
Antes pois  que o tempo que a  tudo desperdiça,
 nos deixe  em perpétuo estado de mudez 
 selemos, meus irmãos,  nossa   boda  imaginária
 sob as luzes cintilantes de românticos urissanês