Sérgio Alessandro Soares Fragoso  
É graduado em Administração, pós-graduado em Gestão universitária. Servidor público da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat, desde o ano de 2005. Trabalha na biblioteca do campus de Alta Floresta – MT. Começou a escrever em um blog e publicou alguns livros de informática básica, no ano de 2015 publicou seu primeiro romance de maneira independente e hoje já tem mais de dez histórias publicadas, todas de maneira independente. É membro da Academia Sinopense de Ciências e Letras – ASCL na qual ocupa a cadeira de número 16.

A MOÇA RUIVA

Eu seguia pela estrada deserta, era asfaltada, mas o movimento de carros naquela região era praticamente nulo, ainda mais naquele horário. Olhei no relógio digital do painel de instrumentos, ele marcava exatamente meia-noite. A noite estava escura, apenas os faróis iluminavam a estrada.


Algumas horas antes eu terminei um trabalho e decidi dirigir por aproximadamente seis horas e dormir no conforto de minha casa. Eu morava sozinho, não havia ninguém me esperando, mas eu não queria passar mais uma noite num hotel.
Embora já estivesse com trinta anos, eu ainda estava solteiro. Eu ficava com alguma mulher aqui ou ali, enquanto estava viajando a trabalho. Não achava justo me casar e ter que deixar minha esposa sozinha por vários dias, enquanto eu viajava por diversas cidades do estado, visitando clientes, trabalhando. Logo eu deixaria aquela vida. Já tinha algumas economias e finalmente poderia arranjar um emprego que não precisaria viajar o tempo todo.


Perdido em meus pensamentos, quase que eu nem notei a bela moça ao lado da rodovia, me acenando com a mão direita. A moça vestia um vestido branco, todo rendado e com alguns enfeites, parecia uma noiva. Não resisti e parei o carro, ela era verdadeiramente muito bonita. Nem me toquei que poderia ser uma emboscada, um assalto.


Abaixei o vidro e perguntei se ela queria uma carona. A moça logo entrou em meu carro e continuei com a viagem. Ela era simplesmente linda, seus cabelos eram ruivos e sua pele clara tinha algumas sardas que a deixavam ainda mais atraente. Eu sempre fui apaixonado por ruivas, seria até capaz de me casar com aquela moça, mas certamente ela já tinha dono.


Perguntei seu nome e o que ela andava fazendo sozinha naquele horário, à beira da rodovia. Ela me respondeu que se chamava Mariana da Silva e que tinha perdido a carona que a levaria até seu destino. Quis saber qual era o lugar. Mariana me respondeu que precisava chegar ao casamento no horário certo, ou perderia a cerimônia.


Lógico que estranhei a situação, era madrugada, provavelmente o casamento ocorreria no período da manhã e ainda faltavam algumas horas para o dia amanhecer. Ela chegaria a tempo, com certeza.


Fomos conversando descontraidamente durante o percurso, contei da minha vida solitária e ela me falou de sua vida. Disse que estava noiva e que se casaria com o grande amor da vida dela. Senti muito por ela ser comprometida, eu realmente fiquei apaixonado por sua beleza e pelo seu jeito delicado. Eu a levaria para minha casa, claro, se isso fosse possível.


Depois de pouco mais de meia hora chegamos ao destino que ela me falou. Era uma igreja numa pequena cidade do interior. Parei em frente da igreja e ela se despediu de mim, me agradecendo imensamente pela carona, ainda me deu um beijo no rosto.


Não havia ninguém em frente da igreja, mas não questionei por que ela quis que eu a deixasse ali naquele horário. Saí com meu carro e olhei no retrovisor para poder vê-la só mais uma vez. Meus cabelos se arrepiaram quando vi que não havia ninguém lá. Mariana não teve tempo suficiente para caminhar até a igreja e sair de minha visão.


Fiquei intrigado com a situação. Cheguei em minha casa e acessei a internet procurando por seu nome nas redes sociais. Não a encontrei em lugar algum. Digitei seu nome no Google numa última tentativa.


A primeira notícia que apareceu tinha seu nome ao lado de uma foto, com o mesmo vestido que ela usava naquela noite. Dizia que Mariana havia morrido em um acidente quando estava a caminho de seu casamento. O acidente foi exatamente no local onde ela pediu carona e a igreja do casamento era aquela onde eu a deixei. Meu corpo inteiro se arrepiou, eu dei carona a uma noiva morta.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

  • Facebook