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Sérgio Alessandro Soares Fragoso

É graduado em Administração, pós-graduado em Gestão universitária. Servidor público da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat, desde o ano de 2005. Trabalha na biblioteca do campus de Alta Floresta – MT. Começou a escrever em um blog e publicou alguns livros de informática básica, no ano de 2015 publicou seu primeiro romance de maneira independente e hoje já tem mais de dez histórias publicadas, todas de maneira independente. É membro da Academia Sinopense de Ciências e Letras – ASCL na qual ocupa a cadeira de número 16.

CAMISA BRANCA

Era uma tarde cinzenta de sábado, mês de outubro, o céu dava sinais de que a chuva chegaria em breve. Eu estava dando uma geral no quintal da minha casa que estava entulhado de restos de construção, principalmente madeira que havia sido utilizada nos andaimes na construção de minha casa.


Trabalhei naquilo por algumas horas até que finalmente resolvi parar, eu ainda precisava tomar um banho para posteriormente buscar a minha filha na igreja, ela estava na aula de catequese. Também tinha que ir à missa que começaria logo mais as dezoito horas. Parei com o que eu estava fazendo e fui tomar meu banho rapidamente para não me atrasar, eu usava uma camisa branca durante o tempo que fiz todo o trabalho.


Após terminar o banho peguei uma roupa limpa e vesti uma camisa de cor verde escura. Passei a mão em minha bicicleta e fui buscar a minha filha que talvez já estivesse me aguardando. Pedalei um pouco e depois deixei que a própria inclinação do terreno me levasse até o final da rua. Durante todo o percurso não passei por nenhum veículo estacionado na rua, nem parado, nem em movimento. Quando cheguei à esquina resolvi subir na calçada para só então cruzar a avenida. Usei a área rebaixada do meio-fio e logo já estava sobre a calçada.


Meu susto foi grande quando vi que um carro foi se aproximando do meio-fio e simplesmente fechou a minha passagem, justamente no local onde eu retornaria para a avenida. Fiquei sem entender o que estava acontecendo, foi então que o sujeito desceu do carro e veio em minha direção já me acusando. Ele dizia que eu tinha quebrado o retrovisor do carro dele e que alguém teria que pagar pelo prejuízo. Lógico que esse alguém era eu na sua concepção.


Tentei argumentar que eu não havia passado por nenhum veículo e muito menos batido em algum retrovisor, mas todos os meus argumentos foram inválidos. O homem estava furioso e bastante alterado, no momento pensei em pegar a minha bicicleta e sair correndo. No entanto, do outro lado da avenida a minha filha já me aguardava. Não havia acordo, para o sujeito eu era o culpado e ponto final.


Diante da minha negativa ele disse que era policial e usou isso para me amedrontar. Lógico que conseguiu, fiquei com medo que ele arrancasse uma arma da cintura e me desse um tiro. Não acreditei que realmente ele era um policial, se fosse estava drogado ou bêbado, não agia como uma pessoa da lei, mas sim como um criminoso.


Eu já não sabia mais o que fazer, olhei para o pátio da igreja e pensei em pedir a ajuda de alguns fiéis que já estavam no local. Eu não sabia como me livrar daquela situação e provar que eu era inocente como de fato era.


Foi então que um homem veio do outro lado da rua correndo e disse: não foi ele não. O cara que acertou o retrovisor do seu carro estava usando uma camisa branca.


O sujeito perguntou se o homem tinha certeza e diante disso simplesmente me pediu desculpas. Entrou no carro e saiu louco em direção ignorada tentando encontrar o verdadeiro autor do delito.


Fui salvo por aquele homem que sabia que eu era inocente, mas o que de fato me salvou foi ter trocado a camisa branca que eu usava pouco antes. Foi a minha camisa verde que me salvou, se eu ainda estivesse usando a camisa branca não sei como aquela história teria terminado.


Ainda assustado, cruzei a avenida e peguei a minha filha. Fui para casa e contei o que havia acontecido. Jamais imaginei que uma simples cor de camisa poderia me tirar de uma situação tão difícil como aquela.