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Samuel Medeiros
É nascido em Bela Vista e mora atualmente em Campo Grande-MS. Publicou romances, contos e crônicas. Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Seu primeiro livro saiu em 2002, “Memórias de Jardim” e logo o romance histórico-ficcional “Senhorinha Barbosa Lopes”, com o subtítulo: uma história da resistência feminina na Guerra do Paraguai.

COMERCIAIS

- Vende-se livro sem letras para analfabeto convicto. 
- Alugam-se rios para grandes barcos e pequenos barcos para córregos sedentos.
- Imprimem-se marcadores de livros com textos para quem não consegue passar do prefácio.
- Missão indígena chega à cidade à procura de sua origem; quem tiver pistas, favor despistar a missão.
- Vende-se casa há muito desabitada com a condição de que nela não more ninguém.  
- Homem jovem e solitário procura outro, velho e rodeado de gente.
- Agricultor oferece-se para semear ventos e colher tempestades.
- Jazigo novo e recentemente pintado aguarda morador exigente. 
- Candidato recém eleito e analfabeto, deseja boas leituras para quem nele votou.
- Moça de fino trato oferece-se para trabalhos domésticos. Que não seja em casa de família. De família anda cheia.
- Caminhoneiro oferece-se para transportar cargas insuportáveis com pesos toleráveis.  
- Misturam-se óleo e água a domicílio; serviços só para os não céticos.
- Viajante desacompanhado procura companhia para ficar na casa.
- Vendedor de café solúvel coloca à venda loja, e procura outra de café em pó.
- Noiva arrependida oferece o noivo por preço módico.
- Mulher troca uísque brasileiro por um paraguaio de 21 anos.

AVISOS E REAVISOS

Estacionamento para deficientes físicos – não seja fronteiriço. 
Casa de repouso. Se roncar, vá roncar debaixo do viaduto.
Local reservado para fumantes. Se continuar fumando nem local mais terá.
Entrada somente para funcionários – funcione pelo menos uma vez na vida e não entre.
Banheiro masculino. A ser utilizado unicamente pelos mais apertados.
Banheiro feminino. Papel higiênico reciclado.
Este produto contém glúten – se é alérgico, por que comprou?
Consumir este produto em seis meses. Duro aguentar uma latinha de manteiga tanto tempo...
Não trocar os pés pelas mãos – invariavelmente você é um mentecapto.
Cuidado, veneno. Com cuidado, envenene-se.
Teatro fechado. Por que a placa se a porta está trancada?
Alugo ou vendo esta casa. Merda de indecisão!
 

PERGUNTAS ALEATÓRIAS

- Por que tarda esta tarde?
- Guardar alfinetes me tornará um alfaiate?
- Mudo de roupa ou me mudo de casa? Continuo mudo?
- Sem relógio, como posso exigir-lhe uns minutinhos?
- Aluno burro requer tempo para estudar ou anima-se a estudar sem tempo?
- Casal casado calça calçados de couro? Caso calcem, cuidado com calos.
- Partiu pensando parar para pensar?
- Chuva mansa molha menos que chuva brava?
- Um fio de esperança vale mais que um quilo de desesperança?