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Paulo Pitaluga  
É historiador, sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do qual foi Presidente. Autor de mais de 30 livros como, por exemplo, Índios Cuyabás, São Gonçalo Velho, Cuiabá, a Lontra Brilhante etc. Desde 1999, vem coordenando a série Publicações Avulsas, do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, com 67 títulos publicados, abrangendo reedições de obras raras, documentos históricos e artigos difícil obtenção.

VERDE

O verde de cada folha,
de cada árvore,
de cada mata,
o verde de cada pasto, 
em um imenso campo
que ao longe se achata;
O verde dos vales
extensos e ondulados,
dos caminhos 
úmidos e molhados,
das veredas
estreitas e orvalhadas,
das chapadas
infindas e aplainadas;
O verde,
dos verdes mares,
das plantas dos pomares,
do semáforo aberto,
e numa esmaecida cor
de um arco íris por certo,
e bem naquele tom final
o verde de vários tons
de uma aurora boreal;
O verde em profusão,
das cores do verão, 
realçadas,
ressaltadas
pela visão sublimada,
das cores de uma paixão;
O verde das águas profundas 
acalmadas,
das margens dos rios 
sombreadas,
das serras ao longe
entrecortadas;
o verde em todos os seus tons,
incontáveis multi tons
de inúmeros semitons;
O verde claro,
o bem escuro, 
aquele meio cinzento,
verde de vários efeitos,
verde de todo o jeito
que se abstrai no pensamento;
O verde das plantas
depois das chuvas se abrindo,
o verde dos campos
no horizonte se indefinindo,
o verde das pedras preciosas,
jade, turmalina, esmeralda,
pedras tão valiosas
porque o verde as respalda;
O verde encanto, 
no suave acalanto
do broto tímido que nasce,
do galho exuberante que cresce,
do tronco tão velho e escuro,
do fruto ainda não maduro;
O verde das pedras com limo,
da cerca viva que cheira,
do arbusto com espinho,
da delicada grama rasteira;
O verde que se mostra,
o verde que se abre,
que se aparece
e se insinua,
o verde que se sabe
verde tão belo, 
verde tão lindo
em nuances tão nuas;
E os verdes que aguardam,
que tímidos esperam 
com tanta ansiedade
a colorida chegada
da chuva e da primavera.
Um verde com a perfeição, 
que só a imaginação
consegue realizar,
e pode idealizar
uma tal criação;

E todo esse verde,
a natureza não o criou,
realmente
não o fez,
pois simplesmente 
ela o roubou,
do verde dos olhos teus.