Pablo Rezende

É filho de dona Ilda, poeta e professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da Rede Pública do Estado do Mato Grosso. É graduado em Letras – Português/Inglês pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Mestrando em Estudos Literários pela Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT). É autor do livro O dever e o haver, publicado pela Literata, em 2011. Têm poemas publicados em várias antologias poéticas nacionais e internacionais.

HIBISCUS

Dizem que a gente é o que a gente come
Então por muito tempo fui flor,
Flor de um vermelho intenso, da cor dos sonhos mais humildes.

Por muito tempo me alimentei das flores
Que estavam no meio dos caminhos
(Eu nunca conheci o deserto)
O mundo estava coberto de flores
As flores estavam em todos os lugares

Ia para escola, uma flor
Voltava da escola, outra flor
Ia brincar na praça, uma flor
Voltava para casa, outra flor

Sempre 
Uma flor, outra flor

Os estudiosos as chamam de hibiscos
Por muito tempo as chamei de alimento
Alimento de um vermelho intenso, da cor dos sonhos mais humildes.

Com suas cristas apontando para o céu
Eu sempre achei que queriam voar
Quando as comia,
Entendia esse prazer pelas alturas como uma forma de captar os instantes
Onde se enxergam as pessoas em seus solitários guarda-chuvas.

Quando era criança
Eu as despetalava, uma a uma
Com as quais ia colorindo meu corpo,
Com as quais ia emoldurando os meus dias
De um vermelho intenso, da cor dos sonhos mais humildes.

Hoje,
Quando já alcancei os sonhos humildes,
Quando já não sou flor
Quando possuo o desejo pelo voo
Eu sou poesia, de um azul marítimo,
Da cor dos sonhos mais comuns.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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