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Pablo Rezende  
É filho de dona Ilda, poeta e professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da Rede Pública do Estado do Mato Grosso. É graduado em Letras – Português/Inglês pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Mestrando em Estudos Literários pela Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT). É autor do livro O dever e o haver, publicado pela Literata, em 2011. Têm poemas publicados em várias antologias poéticas nacionais e internacionais.

A PASSAGEM DOS DIAS


“E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz”

Escrevo versos como quem morre
De Ansiedade... de Depressão...
Os dias são me iguais porque são dias
Não sinto as emoções que deveria sentir
Não doem as dores que deveriam doer
O livro aberto
A porta aberta
(Me são distantes as coisas próximas
Me são frias as coisas quentes
Me são amargas as coisas doces.)

Venlafaxina
Olanzapina
150 mg
5 mg
2 comprimidos de manhã
1 comprimido à noite
Não misturar com o álcool
Não misturar com o nada
Não misturar com o tudo.


Desalento
Os olhos em fuga
O corpo em náusea
Com as mãos incendiadas
As coisas concretas me parecem ilusões
Nada posso tocar
Os dias são me iguais porque são dias
A mesma palavra
A palavra fechada
O corpo fechado
(Me são insensíveis as coisas sensíveis
Me são insignificantes as coisas significantes Me são infelizes as coisas felizes)

Venlafaxina
Olanzapina
150 mg
5 mg
2 comprimidos de manhã
1 comprimido à noite
O mesmo remédio
O mesmo veneno
Dia após dia.

Desencanto
O gesto pálido
O tremor das mãos
Inibidores de tristeza, de angústia
Inibidores de sentir
Inibidores de mim mesmo
(De meu verso de fogo
De meu verso de sangue).

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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