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Nyll M. N. Louie-Alicê 
É o pseudônimo de Vinícius Dallagnol Reis. Nasceu em Sinop no ano de 1992. Redige poemas desde os onze anos, tendo se embrenhado também na escrita de contos. Suas poesias foram laureadas quatro vezes no Varal de Poesias da Unemat. Outra delas (“Tentação”) foi escolhida para a seleção da Vivara Editora no Concurso Nacional Novos Poetas (2014). Em 2018, publicou sua primeira obra, uma breve coletânea de poemas intitulada “Escatolírica Nokturna”. Os principais temas de seus textos giram em torno dos símbolos da memória, da noite e da morte: para o autor, portanto, o ato literário significa “dar moradia às lembranças”.

LUGUBREVEBRUMA

Passa o dia em brava bruma
mas após, das ondas, a escuma,


a sensação lúgubre esparsa
arrebata o meu sorriso de espuma...

E eu vejo um dia melhor
mas a nuvem sem forma nem valor
a minha esperança dispersa
deixando saudade nenhuma...

É breve esse sentimento que a mantém escassa,
a doce alegria que na minha alma está imersa:
mistura de amor, ódio e indiferença; em suma.

Tento outra vez e outrora:
é tua amizade que não me faz ir embora;
e embora seja ela duvidosa
não preme em mim vingança rancorosa...

Mas mais uma vez a nuvem ignora
meu sentido de dúvida com relação à história:
dá o veredicto na sua maleabilidade viscosa
e me traz de novo, arrastado, ao pântano. 


É breve esse sentimento que a assola
porém, persistente, ela me isola:
e, cobiçosa, me suga todo o encanto... 

E enfim, a tentar a lida, eu tenho a última:
hipótese de escapar a dor que me suplica...
para assinar a carta da condenação sem usar a rubrica
fazendo plasmar o algoz na vítima.

Mas na sua derradeira passagem, a nuvem devasta
qualquer cartada que me deixe ação ou saída
e todas as rimas assim desembocam em nada
a apertar mais forte, no pescoço, a corrente...

Essa nuvem, que dispersa, ignora e devasta
é a que meu semblante turva na descida
ao inferno a que esta jornada me trouxe reincidente:
“Nuvem de breves brumas!
Sabes, assim, muito bem o que me deves:
uma alma material para um copo quente. 
E uma Vida, para que nem a morte assumas.”