© 2019 - Revista Literária Pixé.

  • Facebook

Natalino Ferreira Mendes 
É natural de Cáceres-MT (03/01/1924 – 23/12/2011). Professor, poeta, memorialista e cronista, seus textos são fruto de pesquisa histórica em arquivos públicos e particulares. Escreveu: História de Cáceres: administração municipal (1973 e 2009); Marco do Jauru (1983); Efemérides cacerenses (1992); Anhuma do Pantanal: poesia da terra (1993); Memória cacerense (1998), História de Cáceres: origem, evolução, presença da Força Armada (2010); Pássaro vim-vim: poesia da terra (2010), dentre outros inéditos, além de artigos em jornais e revistas de circulação estadual. Foi membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e de Cáceres e da Academia Mato-Grossense de Letras. 

O SAPO

Animal deformado, feio imundo, 
É por todos o sapo repelido
Por temor do seu cuspe nauseabundo, 
A só defesa de que foi munido.

Insensível ao nojo que ao mundo
O seu corpo vil causa, escondido
De uma toca escura ao tredo fundo
O sapo vive, enquanto o sol temido

No céu vai... Mas apenas uma estrela
Vê brilhar, sai o sapo procurando
Os insetos na beira da baía.

Nessa hora (é doce percebe-la!)
Rompe, em coro, dos sapos todo o bando, 
Produzindo uma triste sinfonia.


Texto gentilmente cedido pela família, extraído de Anhuma do Pantanal: poesia da terra. Passo Fundo/RS: Pe. Berthier, 1993, p. 61