Marta Cocco 
É natural de Pinhal Grande-RS, formada em Letras, doutora em Letras e Linguística, professora de Literaturas da Língua Portuguesa na graduação e na pós-graduação da UNEMAT-MT. Faz parte do grupo de pesquisa LER: Leitura, literatura e ensino – UNEMAT/CNPq. Ganhadora de vários prêmios literários, já publicou cinco livros de poemas (Divisas, Partido, Meios, Sete Dias e Sábado ou Cantos para um dia só), dois de crítica literária (Regionalismo e identidades: o ensino da literatura produzida em Mato Grosso, Mitocrítica e poesia), um de contos (Não presta pra nada) e, com este, três infantis (Lé e o elefante de lata, Doce de formiga e SaBichões).

DEDUÇÕES

Com tormentas à vista,
navegar é difícil.
Arrisca-se o carregamento da memória
e a empresa no devir.
O porto assim sendo
é lugar de onde não se quer sair.
 
De costas para as águas,
megafones nas ruas
anunciam vagas na arca.
– Vozes de assalto e repetir.
O mar assim traduzido
é perigo nos cantos de seduzir.
 
Para monstros e tempestades,
cindindo firmamentos e miragens,
há o Deus vingativo (como no slide da infância).
Seu nome assim evocado
lota palácios e templos
por mercadores de linguagens.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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