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Marques de Sade
Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814), o Marquês de Sade, foi um escritor reconhecido por sua literatura libertina produzida na França. Seu nome deu origem ao termo sadismo.

OS 120 DIAS DE SODOMA 


(trecho)

"Bem, essa é agradável”! exclamou Curval: “por Jesus, creio realmente que quero cagar, preciso mesmo. Quem devo tomar, Senhor Duque”?
“Quem”? disse Blangis. “Por minha fé, recomendo Julie, minha filha; ela está aí mesmo a seu lado. Você gosta de sua boca, ponha-a a trabalhar”. 
“Obrigada pelo conselho”, disse Julie tristemente. “Que fiz eu para que o senhor diga essas coisas”? 
“Bem, como a idéia não lhe agrada”, disse o Duque, “e como é uma boa menina, tome Mademoiselle Sophie: é saudável, bonita, e tem apenas catorze anos, sabe”.
“Muito bem, seja Sophie, está decidido”, disse Curval, cujo turbulento pau começava a gesticular. 
Fanchon faz aproximar a vítima, as lágrimas da pequena coitadinha começam a cair sem demora. Curval ri as gargalhadas, ajeita seu grande, feio e sujo traseiro, coloca-o em cima do encantador rosto, e dá-nos a impressão de um sapo pronto a insultar uma rosa. Seu pau é esfregado, a bomba explode, Sophie não perde nem uma grama, e a língua e os lábios do crapuloso magistrado reclamam tudo que ele próprio lançou; engole tudo com quatro bocas cheias ao mesmo tempo que seu pau é esfregado na barriga da pobre criatura que, terminada a operação, vomita até suas próprias tripas, e diretamente no nariz de Durcet, que se precipitou para nada perder, e que se esfrega a si mesmo enquanto é borrifado. 
“Continue, Duclos”! disse Curval. “Adiante com suas histórias, e rejubile com o efeito de seus discursos; não levam o dia”? 
E logo após Duclos prosseguiu, aquecida até ao fundo de seu coração pelo espantoso sucesso que sua anedota recebera. 
O homem com quem tive relações imediatamente após aquele cujo exemplo seduziu os Senhores, Duelos disse, insistia em que a mulher a quem era apresentado tivesse indigestão; como conseqüência, Fournier, que não me dera conhecimento antecipado da coisa, fêzme, durante o jantar, engolir um certo remédio laxativo que amolecia o conteúdo de meus intestinos, na realidade tornava-o fluido, como se meu assento tivesse sido transformado no efeito de um enema. Nosso homem chega, e depois de vários beijos preliminares dados no objeto de sua inteira veneração, que, agora, estava ficando dolorosamente cheio de gases, suplico-lhe para começar sem mais delongas; a injeção está pronta a escapar, agarro seu pau, arqueja, engole tudo, pede ainda mais; forneço-o com um segundo dilúvio, logo seguido por um terceiro, e a anchova do libertino cospe finalmente em meus dedos a evidência inequívoca da sensação que recebeu.