Marli Walker 
Possui Doutorado em Literatura e Práticas Sociais pela UnB (2013), Mestrado em Estudos Literários e Culturais pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2008), Especialização em Literatura Infanto-juvenil e Ensino, pela UNEMAT (2003) e graduação em Letras, também pela UNEMAT (2000). É professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Campus Cuiabá, desde 2011 e do Programa de Pós-Graduação Mestrado Acadêmico em Letras da UNEMAT, campus de Sinop. Coordena a linha pesquisa A Escrita do Gênero – GEELLI/IFMT, integra o Grupo de Estudos Transculturação e poéticas contemporâneas: traços identitários da cultura de Mato Grosso e o Grupo de Pesquisa em Estudos Comparativos de Literatura: Tendências Identitárias, Diálogos Regionais e Vias Discursivas. É membro do GT Mulher e Literatura - ANPOLL. É componente do Mulherio das Letras/MT - Coletivo Maria Taquara. Publicou os livros de poesia: Pó de serra (2006/2017), Águas de encantação (2009) e Apesar do amor (2016), este último contemplado pelo edital do MEC para o PNLD (2018). Publicou ainda Inferno e paraíso na poética de Adriane Rocha (2009), dissertação de mestrado. Em coautoria com outros autores, publicou Vozes femininas (2008); Cultura e identidades: discursos (2007); Nossas vozes, nosso chão: antologia poética comentada v.I (2011), v.II (2014) e vIII (2018);; Tópicos de leitura: literatura e contexto (2011), Palavra de mulher: Literatura feminina em Mato Grosso - século XIX (2015), O tom e o espaço da lírica feminina em Mato Grosso no decorrer de três séculos.

ESCRITURA

finíssimo gosto macio
tanto fio e tanta vinha
é tua mão ou a minha?
 

[Apesar do amor, 2016]
 


 

 

 

FARDO

equilibrar-se
sobre o movediço chão
sobre o estar ou não
sobre a fina corda
do sem sentido
o arredio e faminto sentido
tão perseguido em vão
(o equilíbrio cansa tanto)


[Apesar do amor, 2016]
 


 
 
 
COLHEITA

florescerá

talvez no futuro

a escassa semente do amor

 

[Apesar do amor, 2016]
 

 

 

 

 

IMPRESSÃO

O quadro verde está manchado
Novas cores saem dele agora
Não é o colorido dos pequenos brotos
Não é tonalidade de semente
É cor de fruta madura que se perdeu


[Pó de serra, 2017]


 

 

 

 

 

ALDEIA MATO GROSSO

Árvores mortas
Labirintos de madeira
Sonhos esculpidos
Com suor e fé
Paisagem com sede
De homens valentes
Imitadores do Mundo
Tão pequeno, tão perto
Vigiando a respiração
Da mata remanescente
Invasores pós-modernos
Carentes de árvores
De peles-vermelhas
De águas e pássaros
Carentes de paz


[Pó de serra, 2017]


 

 

 

 

Porque me escondo em meus escombros
Sobrevivo
E crescem musgos em mim

 

[Pó de serra, 2017]

 

 

 

 

FETICHE *

Tatuar minha linguagem
Na tua pele marrom
O teu tom na minha boca
Meu desejo na tua mão
A minha espera mais louca
Se entrega pra marcação
Sinais morenos do vento
Desenho feito por dentro
(*)!
Poesia
Mel
Alimento!
[Águas de encantação, 2009]
 Sobre amor e saudade

É primavera no meu quintal
Os brotos repletos de sol
Oferecem-se aos dedos da criação
Caos ordenado
Vida refeita
Sobre o tapete do quarto
Algumas pétalas secas
Apenas para lembrar
A cor marrom da saudade
Saudade desta tarde
Tarde de amar sem pressa
Tarde de todas as tréguas
Do sono em concha depois de mais e mais e mais amar
De me espreguiçar sobre o corpo do amado antes e depois do amor
Languidamente…
Tarde que passa
E enche meu poema de amor e saudade…

 

[Águas de encantação, 2009]
 


 

 

 

FENDAS

Detive-me em restos esmagados
de um tempo possível que me desfez
Minhas retinas fitaram o assombro
das canções fatigadas de ausência
Alheia ao tempo que me perdeu
fixo meus fragmentos bipartidos
em mosaico entreaberto
e cimento meu mar de estilhaços
aos destroços de um tempo
que ainda me quer imagem


[Águas de encantação, 2009]
 

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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