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Marli Walker

Doutora em Literatura e Práticas Sociais - UnB

ABISMO

não pare o carro no Portão do Inferno
(uma voz antiga aconselha)
rodovia estreita
curva acentuada (em 90 graus)

aguço os cinco sentidos
posso engolir em seco
o cheiro ocre do susto 
umbral de pedra abocanhando o mundo
ouço o crocitar do corvo em pleno voo
ave de rapina que me olha há milênios
(somos imagem e semelhança)

retomo a rota
seguro firme o volante  
e contemplo a minha paisagem

(o 
meu 
abismo
é 
sempre 
mais 
profundo)