Marilza Ribeiro

Nasceu em Cuiabá, em 27 de março de1934. Graduou-se em Psicologia, pela Faculdade de Ciências e Letras São Marcos, em São Paulo - SP. Foi presidente da Associação de Mulheres de Mato Grosso. É escritora e desenhista. Foi homenageada na Literamérica (2006), em Cuiabá-MT. Diversas vezes premiada, publicou seis livros de poesia e possui mais cinco inéditos.


FLOR ENCANTADA NO REINO DO SOL VERMELHO

A flor do cerrado só desabrocha em seu espaço natural. Ela se dá, aberta, em cor, na ramagem sobre o chão do cerrado. À medida que vão sendo exterminados os cerrados, elas morrem com eles. A Natureza é forte. Mas não consegue ser recuperada na dilaceração de um urbanismo mecanicista e selvagem! A flor do cerrado irrompe por entre a ramagem com sua linguagem de cor e harmonia. Sua cor dourada assegura o conjunto de pétalas como carne viva vegetal, trêmula,  que a brisa faz dançar com as folhas. Vida que substancia a vida com ímpeto e canção brotada da terra. No seu colo amarelo estão os pólens onde a abelha ou a borboleta vai levando de um lado para outro até pousar em um novo rosto colorido e perfumado. Brotação vital desse útero que perpetua a espécie.  O sol, que explode calor e brilho, cobre-a com seu abraço poderoso.  Ela delicadamente surge por entre a manhã e adormece no anoitecer, na primavera. A flor miúda, balança sutilmente,  em seu sono quieto. Fica colorindo mansamente o lugar, como um poema mudo da existência natural. Até quando ela irá durar ali,  no canto daquele jardim, onde a modernidade  urbana expulsa, friamente a simplicidade dessas flores?
 

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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