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Luiz Marchetti
O cuiabano Luiz Marchetti, 55, é cineasta, roteirista, curador e produtor. Formado na CAL Casa de Artes de Laranjeiras, Rio de Janeiro, graduado em Belas Artes na Central Saint Martins, Londres e Mestre em Artes pela Westminster, Londres. Em Cuiabá dirige há 16 anos o CALM, Centro Audiovisual Luiz Marchetti. È autor de diversos roteiros para cinema e peças de Teatro.

O SARAU DA LUCIENE

Foi assim no ensaio

Está na dramaturgia

Por entre as paredes do camarim

No murmúrio do saguão

Na testa

Na atriz suada

Em você e em mim

Na avenida Getúlio

Em quem veio antes,

No futuro da gurizada

 

Na pintura da rotunda

No cenário de quintal

Na boca e na bunda

Em cidade, quilombo e oca

nas nuvens do teatro de rua

Na praça da mandioca

E no chão

 

Foi marcado no ensaio

Minha voz veio da coxia

Público ainda na escadaria:

É hora de apagar a luz

 

Tava acertado na dramaturgia

A cidade começou a escurecer

Não tem buzina, não há stress

Nenhuma raiva,

nem um pingo

Diminui o trânsito…

Agora!

Entra em cena: Domingo!

 

Quando o eclipse chegou ao porto

A plateia já estava em pé

Três tempos num mesmo instante. 

Insana visão saudável: nudez diamante.

Você é desejo de quem você é.

 

No breu prata olha quem vê pra dentro.

Tem quem franze o rosto e tenta arrumar a rima

Tem quem inspira mais e ainda mais se anima

 

No escuro brota um ponto.

 

Reflexo igual espelho d’água

Rosto de mãe contente

Teve quem viu a Hend,

a tia vizinha apareceu,

Choro na parentada

eu ouvi a voz de Marília

E um pino acendeu…

assim…do nada

 

Mesmo num Estado à escura

Com ossos servidos à luz de loucura

A plateia segura o ar e…flutua

 

Já são centímetros acima do chão

O porto enche de gente transparente

Capim cidreira amassado na mão

Flutua…

Tem personagem/ Tem gente nua

 

E como promessa de boi sangrando,

pra atravessar o espetáculo

Um repertório de inspirações vibra em toda Cuiabá:

Abre o coração e o ponto de luz é ela

 

Luciene cintila.

 

E nessa eminência de mágica

Como promessa de ensaio

A peça chega ao povo

Em pleno mês de maio

Toma aí o ano novo!

 

Prende mais a respiração

Ergue alto e mais ainda

Longe da carne e das roupas

Centímetros do chão

Brilha lua de sangue: linda!

 

Cintila monômio unânime

Reunião flutuante da cidade

De coração aberto Ela averba

Lu a lu.

Nossa Dona da verdade.