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Lorenzo Falcão

“Nasci inexplicavelmente para ser poeta”, reconhece Lorenzo Falcão na breve biografia que acompanha “mundo cerrado” (assim mesmo sem maiúsculas por opção do autor). “O cerrado é meu lar e a poesia, o meu mundão sem porteira”, conclui o jornalista, que nasceu em Niterói (RJ), mas cresceu em Mato Grosso, “entre barrancos, pedras e sombras”, e trabalha há muitos anos como jornalista na área de cultura. 

BOA NOITE

noite silêncio vazio
lua frescor solidão
insônia ausência
sala computador
teclado inspiração
angústia lembrança
infância velhice
sexo amor carinho
esquecimento bocejo

copo d´água
quarto televisão
torpor xixi banheiro
escova de dente
travesseiro ventilador
celular carregador
controle remoto
sono sonho sons
...dia seguinte

 

 

 

 

 

 

AMOR

ainda não existe
aquele perfeito sinônimo
pra palavra amor.
e precisa?
ela já demasia
em supervalorização
é exibida que só ela.

a gente fazendo verso
ela vem logo
pedindo passagem
querendo espaço.
que coisa, amor...
dá um tempinho,
sai do meu caminho. 

me espera lá fora
que tô doidaço
pruma porrada na sua cara:
você existe desde sempre
eu nem palavra sou.
e nem sei ainda ao certo
quanto tempo aqui verso

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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