Lorenzo Falcão

“Nasci inexplicavelmente para ser poeta”, reconhece Lorenzo Falcão na breve biografia que acompanha “mundo cerrado” (assim mesmo sem maiúsculas por opção do autor). “O cerrado é meu lar e a poesia, o meu mundão sem porteira”, conclui o jornalista, que nasceu em Niterói (RJ), mas cresceu em Mato Grosso, “entre barrancos, pedras e sombras”, e trabalha há muitos anos como jornalista na área de cultura. 

PAPAI NOEL

 

vivo um inferno

todos os anos
no tempo dezembro.
coisa de nós, humanos,
nascidos em mês derradeiro.

não quero festa
nem repetitivos votos.
e como num protesto
vão meus rabiscos tortos
estupradores do papel branco.

depois de lorenzo
tenho jesus no nome:
não preciso, não me benzo,
jamais vou morrer de fome.

acho que papai noel
é meu são francisco de assis:
valente, dele fiz,
uma brincadeira de papel.

OXALÁ

milho torrado e socado
no rabo fofo
deste ano ultrapassado.
assim escrevo e sofro!

venho passando de ano
desde o jardim da infância,
mas 2019 foi uma infâmia:
o ano é que me passou a perna.

uma rasteira braba,
tropicões, tombos
e a minha asa quebrada:
2019, um ano de assombros.

daqui a pouco
é ver pra crer
num 2020 muito louco
pra ninguém soltar a mão
de ninguém!

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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