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Leonardo Cattoni 
Nasceu em 1980, na cidade de Curitiba/PR.  Mora em Belo Horizonte onde atua como tradutor e professor de língua Inglesa. Desde pequeno, por conta dos pais, tem contato com livros que adornavam prateleiras e povoavam criados-mudos. Nunca publicou nada. Escrevia e escreve para si. Escreve, aliás, para não aprisionar o bicho selvagem que corre, caça e ruge nas veias, para não coagular o sangue da imaginação, para não adoecer a sanidade. Escreve para não enlouquecer.

há encontros depois de uma despedida,
há partidas sem encontros,
há lucidez na loucura,
há sul na bússola que nos orienta,
há norte que nos desnorteia, 
há gols sob vaias,
há sentido na contramão, 
há ciência na religião, 
há Deus no não e no sim do ateu,
há elegância na deselegância ,
há átomos para o crente,
há inocência no culpado, 
há dor no prazer,
há incêndio sem fumaça,
há cumplicidade no silêncio, 
há choros de alegria,
há também a euforia no desespero.
há solidão no carnaval,
há paz sem trégua,
há recompensa pela derrota, 
há sempre vaga no coração lotado de desilusões,
há sombra no iluminado, 
há sede diante do oceano, 
há luz dentro da ignorância,
há nós sem você, 
há passeatas no corredor de casa,
há o tremer no calor, 
há mar para o cego, 
há tortura no aconchego, 
há consolo no castigo, 
há sal no destempero, 
há esquerda para o destro, 
há baiano dentro da guerra,
há retrocesso no progresso, 
há fome onde há sobrenome, 
há o ter onde posse não há,
há onde não pode haver.
há.