Leni Zilioto 
é natural de Guaporé-RS. Residiu em Passo Fundo-RS, em Serafina Corrêa-RS e em Nova Mutum-MT. Atualmente, reside em Sinop-MT. É mestre em Gestão e Auditoria Ambiental e especialista em Educação Ambiental e em EaD. É bióloga, palestrante e escritora, com doze obras publicadas e várias participações em coletâneas. É curadora para exposições e coordenadora de projetos em audiovisual. Membro da Academia Sinopense de Ciências e Letras. Recebeu duas “Moções de Aplauso” e a “Comenda Colonizador Ênio Pepino” da Casa Legislativa de Sinop, e o título de “Cidadã Mato-grossense” da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, pela contribuição das suas obras à leitura, à literatura e à cultura mato-grossense.

MIGRANTE

Descerrei todas as ventanas.
Portais, também!
Os quarenta graus,
orifícios dérmicos adentro.
Acesa, a esperança
e muito mais.
Entre a última chuva de outono
e a primeira da primavera,
os meses sangram,
secam.
Evaporam-se Vida e vontades.
Inclusive a noite!
E a boemia...
Ah!!!!
E a raiz, o germe, e fonte...
Firme, vivo, muito vivo.
Amorosamente esperança
a chuva.
Hoje acordei e sorri em lembranças!
Aromas de domingo.
Descerrei todas as ventanas.
Portais, também!
Minha terra natal entrou.
Senti um vento quase que frio.
Eu sabia: nevou lá em casa!
...“Lá” em casa... 
 

VIDAS

Toda madrugada
veste-se de dama,
tem cheiro de boemia
e dança a nostalgia.

Seus personagens, vividos,
lamentam vazios.

Perderam, ela e eles, o dia.

Desta, irão todos.
O cenário... Sombrio.

Primaveras foram.
E ninguém viu.
Cabeças ocupadas
perderam o dia!

© 2019 - Revista Literária Pixé.

  • Facebook