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Klaus Henrique Santos

Reside em Sinop-MT e é membro da Academia Sinopense de Ciências e Letras (ASCL), nela ocupando a Cadeira 10, cujo patrono é Jack Kerouac. Bacharel em Comunicação Social - Jornalismo. Publicou Páginas da Escuridão (2012), Enfim, a estrada (2014), Horror & Realidade: contos (Carlini & Caniato Editorial, 2015), No Compasso da Loucura (Carlini & Caniato Editorial, 2017) e A poesia mora no bar (Carlini & Caniato Editorial, 2018).

FLUXO 

Uma pedra de gelo escorregou do mojito quando colocaram a dose diante de mim. Peguei-a para colocá-la de volta ao copo, mas eis que surgiu uma bela história, única e divina relacionando tudo, buscando o fluxo da natureza, aquela força que a faz manter-se em constante movimento e que coordena a seiva das árvores na mesma correnteza dos rios em harmonia única com os mares e os céus e os deuses que habitam as matas e suas criações perfeitas que sentem esse ritmo e vibram na mais louca e permanente dança que poderá existir, pois o conceito de tempo foi há muito por eles superado, logo não haveria necessidade do “há”, já que a essência contraria a ideia de se falar no pretérito, então temos que falar apenas no agora e celebrar essa vida maravilhosa que teima em correr feito os  rios aprisionados que, de tempos em tempos, rompem represas e resgatam a velha liberdade que Deus lhes garantiu quando desceram à Terra, gota a gota, mas já cientes de que gerariam milhares de seres em seus ventres e que ali, tal como aqui, também haveria podridão e canibalismo intenso, mas optaram por pulsar da mesma forma e abrigar esses seres, desde que tivessem para onde correr e manterem-se sempre em movimento, atravessando os continentes como imensas autoestradas e depois mergulhando no mar e circundando toda a Terra até subirem aos céus e, após  um beijo divino, terem seu retorno, novamente em gotas que escorregarão para o rios que um dia foram e isso está acontecendo por todo o sempre, portanto é injusto que se aprisionem os rios. Deixei o gelo derreter e escorrer pela fresta da mesa.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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