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Karine Padilha 
Vive em Florianópolis SC e é graduanda em psicologia. Atualmente trabalha com psicologia e arte, realizando pesquisas e prestando atendimentos psicológicos no CEPSI- Centro de Estudos e Saberes Psicológicos da Faculdade CESUSC (Florianópolis SC). Em 2017 escreveu o livro LUGEO, que integrou a XI Entremostras da Fundação Cultural BADESC (Florianópolis, SC). De 2017 a 2018 participou ativamente do programa radiofônico Quinta Maldita, um programa de performance artística organizado pelo músico e literato, Demétrio Panarotto. Em 2021, expôs o auto-retrato Desaparecendo/Disappearing no Mostra Museu (São Paulo, SP).

Aqueles que caem
Eu escrevo para os homens que
não sabem ler 
Mas desconfiam 
Do que dizem os poemas. 
Eu escrevo porque tenho urgência de enunciar aquilo que a palavra não segura, que não é letra nem vocábulo, que não cabe no espaço
Que é o outro não visto, e bem conhecido. 
Eu escrevo porque há um declive não mapeado no mundo 
Não um lugar, mas um jeito de cair 
Que derruba os desconhecidos a cada segundo
Eles desabam pra sempre 
Desabam a sós 
Sem ler os poemas
De boas novas 
Por que os poemas 
de boas novas 
Não são feitos 
para aqueles que caem
E é, também, porque posso cair, 
que eu escrevo.
As coisas do mundo 
As coisas do mundo estão todas espalhadas
cercadas, escravizadas.
Foram cedidas e foram negadas
Negociadas
Esquecidas
Escondidas
Empoeiradas 
Incendiadas
Esbanjadas
Suplicadas
Negligenciadas
Os donos das coisas do mundo
A troco do giro da manivela
Apossaram-se do tempo
-Que passa
Da vida 
-Que passa
Agarraram-se com as mãos à terra, ao umbigo, às suas mulheres, aos seus pertences, aos seus chapéus e à ventania, 
Porque do outro lado do muro os puxava a morte.
O
cabo
de
guerra
Da imortalidade:
O desespero de provar-se vivo pelo peso que se carrega 
O pavor de sentir-se morto pela entrega.
As coisas do mundo,
Toda e cada coisa,
Consumida
Consumada
Não salva o homem do fim do homem
Não salva, no fim, o homem de nada.