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Karine Padilha 
Vive em Florianópolis SC e é graduanda em psicologia. Atualmente trabalha com psicologia e arte, realizando pesquisas e prestando atendimentos psicológicos no CEPSI- Centro de Estudos e Saberes Psicológicos da Faculdade CESUSC (Florianópolis SC). Em 2017 escreveu o livro LUGEO, que integrou a XI Entremostras da Fundação Cultural BADESC (Florianópolis, SC). De 2017 a 2018 participou ativamente do programa radiofônico Quinta Maldita, um programa de performance artística organizado pelo músico e literato, Demétrio Panarotto. Em 2021, expôs o auto-retrato Desaparecendo/Disappearing no Mostra Museu (São Paulo, SP).

Digo “cor” e a palavra desbota, porque é miúda e não sabe ser nada além de palavra; sustenta a memória da matiz mas não pode sê-la. Quando conta das lembranças, dá corpo ao vazio do que se fala. É oca, fraca, débil. Quer substituir as ausências e nomear os silêncios. Diz “luz” e acredita que fará iluminar. Padece de anunciar o que os olhos veem. Quer guardar a flor, o ódio, as pessoas, o mar, os dizeres, tudo dentro da boca, como se se servisse do mundo e fosse capaz de prendê-lo embaixo da língua e quando alguma coisa lhe escapasse, pudesse materializa-la novamente num timbre vocal.

 

 

 

-Cada andar tem três metros.
-Decimo, decimo primeiro...
-Se cada andar fosse um ano da nossa vida, exatamente agora teríamos trinta e três anos. Consegue ver lá embaixo, o primeiro andar?
-Não muito bem. E você?
-Não muito bem, o elevador sobe muito rápido.
-Então, quando chegarmos no trigésimo terceiro vai ser como se tivéssemos noventa e nove anos?
-Aqui já estamos na casa dos sessenta. Sessenta e seis... Algum pedido especial, remorso ou consideração?
-Queria ter pego as escadas.