© 2019 - Revista Literária Pixé.

  • Facebook

João Bosquo Cartola

Poeta, jornalista e licenciado em Letras/UFMT, mora e trabalha em Cuiabá. Como jornalista atuou nos jornais O Estado de Mato Grosso, A Gazeta (Cuiabá), em 2001 editou o semanário A Notícia (de Cáceres); presidente do Sindicato dos Jornalistas (1995-1998) e desde 2002 trabalha como assessor de imprensa, até janeiro de 2015, como repórter da Secom/MT, entre 2015 e 2017 volta à redação como repórter do *DC Ilustrado*, caderno de cultura do jornal Diário de Cuiabá, atualmente trabalha como freelancer. Morou em Curitiba, onde publicou o livro *Abaixo-Assinado* (1977) em parceria com L. E. Fachin. Em Cuiabá novamente, os livros *Sinais Antigos* (1981), *Outros Poemas* (1984), *Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol* (2006) e *Imitações de Soneto* (2015). Participou das antologias *Abertura* (1976), *Panorama da Atual Poesia Cuiabana* (1986), *A Nova Poesia de Mato Grosso* (1986) e *Primeira Antologia dos Poetas Livres nas Praças Cuiabanas* (2005); com Abdiel ‘Bidi’ Pinheiro Duarte editou o alternativo *NAMARRA* (1984/86) e coordenou o projeto *POETAS VIVOS* (1987/88), da Casa da Cultura de Cuiabá.

EM MEMÓRIA DO POETA DESENCARNADO

Existe, repara, uma hora dentro de um minuto e um segundo às vezes é maior que o domingo...


Saio de casa, vou à feira e caminho até descansar sentado num banco de uma praça perdida num país que nunca cheguei a conhecer, mas que mora no centro de meu coração na América do Sul.


Uma hora, no meio de um minuto, o poeta pensa: A vida é lembranças - boas ou más lembranças e não importa que a gente insista em querer guardar na memória -, mas elas se perdem...


Um milésimo de segundo é maior que tudo, maior que um século de tempo contado em horas quando a pessoa cabe dentro desse milésimo, mas é menor que a constatação do bóson de Higgs.

O DIA QUE MANUEL BANDEIRA NÃO VISITOU CUIABÁ

O dia que Manuel Bandeira não visitou Cuiabá...


Nesse dia corria pelas ruas, jogando bola, os craques Almiro e Careca Banana e Lombriga Beto e Xevrolé Pelado e Nhonhô...


Os dois primeiros perto do Campo D’Ourique os demais na Avenida Dom Bosco, Joaquim Murtinho, Treze de Junho e naquele campinho que iria sumir com o bairro Morada do Sol.


Nesse dia que Manuel Bandeira não desembarcou em Cuiabá o campo de aviação não era em Várzea Grande, os bebedores nos bares sonhavam com a Cia Cervejaria Cuiabana pois a cerveja era pouca pra tanta sede no calor do entardecer.


Os cuiabanos versos de Manuel Bandeira seriam decerto diversos dos de Silva Freire ou dos modernos poemas em cubos de gelo Dias-Pino e não sobreviveriam a uma noite serenata pra amada namorada na madrugada do dia que Manuel Bandeira não visitou Cuiabá.