Isabela Anzolin
É mato-grossense, nascida em Mirassol D’Oeste. É acadêmica de Medicina Veterinária, amante de gatos, café e poesia. Luta pelas causas vegetarianas e feministas.

OLHOS CARNÍVOROS

 

As curvas

que sua boca faz

enquanto

fala

sibila

sorri

ou fica séria

as curvas

dos seus cabelos

entorpecem

me entorpecem

causam um ímpeto

absurdo

caótico

me fazem te

d e v o r a r

com a fome

de olhos carnívoros.

 

 

 

 

 

SOMBRA

 

A sombra arredondada

sobreposta

abaixo da cintura

próxima

ao osso pélvico

do lado esquerdo

ou direito

perco a noção

durante o velejar

no teu mar

pela esquerda

ou pela direita

continua sendo

o território salgado

de maré agitada

que mais desejo

desbravar.

 

 

 

 

TOQUE

 

Tocar

tocar esse instrumento

tocar a curva que faz

o cacho seu

que movimenta o meu

universo de sensações [reticentes]

espero, tocar o seu

tocar a linha

a linha que passa

dividindo em dois lados

a imensidão desse monumento

instrumento que toca

o corpo seu

toca?

sol

seu

toque.

 

 

 

 

LEOA

 

Te ver por cima

por cima de mim

leoa

cabelos jogados

gravidade zero

boca edemaciada

ainda mais rosada

tronco inclinado

peitos esmagados

que se aproximam

os corpos

quentes

sedentos

suados

até que enfim

de repente

uma onda

uma onda oceânica

trouxe consigo

a gravidade

e caímos

no macio das colchas

essa é

com certeza

a imagem

mais divina

que meus olhos

de fogo

já viram.

 

 

AMOR PRÓPRIO

 

O calor que eu sentia

quando estava com você

me faz lembrar

quão fria eu era

antes de conhecer

o amor

próprio.

 

 

 

 

 

VINHO

 

Você pode

beber duas garrafas de vinho

sozinho

sentir aquele tremor pelo corpo

aquele formigamento nos lábios

oco e prazeroso

e você pode

usar seus lábios sóbrios

para encontrar os meus

e descobrir um universo

de sensações

maiores que essas.

 

CALMA

 

Pra que calma

na alma

se enlouquecer

deve ser

nosso êxodo

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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