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Inácio Werner
É cientista social.

CAITITUS MATAM 4 INDÍGENAS CHIQUITANOS

 

No dia 11 de agosto, um dia quente e seco, clima desta região nesta época do ano, como de costume, Paulo Pedraza Chore, Ezequiel Pedraza Tosube, Yonas Pedraza Tosube e Arcindo Sumbre García, decidiram caçar. Antes, porém, telefonaram para o gerente da fazenda São Luis conhecido como “Seu Zé”. Ele não estava, quem atendeu foi dona Domingas esposa de “Seu Zé” que autorizou a caça.


Para realizar a caça levaram uma espingarda “aquela de um tiro” com munição, facão, foice e água para beber, além de 5 cachorros.


A distância do local da caça é relativamente perto, algo como 2 km em campo aberto. Os únicos obstáculos são as 7 porteiras a serem abertas e fechadas.


 A caça principal são os caititus, animais extremamente devoradores quando atacam uma plantação, segundo os Chiquitanos. Em uma noite acabam com a “roça”. Os caititus são uma espécie próximos de outros como queixada, java porco, porco do mato. 


Por volta das 14:00’, chegando ao local, provavelmente avistaram a primeira caça e deram um tiro em um tatu. Os caititus ouvindo o tiro fizeram valer a máxima “um dia é da caça o outro do caçador” e não deixaram por menos, foram pra cima dos caçadores dando tiro para tudo que é lado. Segundo uma pessoa que estava próxima do local, teve 2 rajadas de tiro num intervalo aproximado de 30 minutos. O que se supõe é que os caititus nem esperaram os caçadores chegarem ao local onde montam a “ceva” - sal e a água para atrair os caititus. Podemos imaginar ao ver o local, uns 200 m antes da “ceva”, foram dominados em pleno campo aberto próximo à cerca onde existem algumas árvores. Com a primeira rajada de tiros, os caçadores já foram dominados e provavelmente feridos. Os caititus não satisfeitos foram pra cima dos caçadores quebrando-lhes os dentes, perna, clavícula, cortando pedaço da orelha e os arrastando pelo chão, ferindo as costas e arrancando o couro. Provavelmente após uns 30 minutos de tortura reiniciaram uma segunda rajada de tiros, agora a curta distância. Certamente após esta segunda rajada todos estavam sem vida. 


Os caititus não satisfeitos, colocaram armamento pesado na mão dos caçadores, para que quando outros caçadores quisessem caçar, se lembrassem do poder de fogo dos caititus. 


Após aquele momento de violência sem precedentes na história, sorte das famílias foi o GEFRON, que estava passando na região e encontrou os índios Chiquitanos baleados e desfigurados.  Diferente do que se recomenda na terra da lei para fazer uma apuração das circunstâncias das mortes o cenário foi desfeito com a retirada dos corpos, sem nenhuma fotografia ou imagem. Porque imaginemos os corpos expostos ao relento serem devorados pelos caititus!? Perícia? 60 dias depois voltaram ao local, só que pelo laudo não foi feito perícia onde os Chiquitanos encontraram possas de sangue e marcas de tiros no chão na manhã seguinte à chacina, e possuem imagem em vídeo gravadas.  Fica mais uma pergunta final, onde está a espingarda, a foice e o fação? Levaram como troféu ou para esconderem algo que revelaria a verdade sobre a chacina?

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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