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Iael Aguirre
17, é estudante do Centro Educacional Anália Franco, em Cáceres. Oscilando entre o mais dócil mel e mais ferrenha tortura, como o resto da humanidade, o jovem poeta Iael Aguirre descobriu na veia poética uma excelente ferramenta terapêutica para dialogar com os próprios diabos, tal diálogo proveniente de leituras literárias e pesquisas escolares, sendo a mais recente,  estudos acerca da marginalização do meio artístico em sua cidade natal, sendo esta Cáceres-MT. Menino de muitas leituras e escritas, desde muito cedo embrenhava-se pelo gosto dos livros, sendo muito observado e incentivado em seu âmbito escolar pelas suas professoras de Linguagens, sendo as mesmas com o olhar sensível e atento, deu a este menino incentivos para se aproveitar da poesia, como leituras e tessituras como uma forma de acalentar suas inquietações.

MESMO TÉDIO

Os mesmos olhos meus
miraram o mesmo céu
e lá estavam os mesmos
oito sóis de sempre;
uns dois apagados
num mesmo compacto cinza

sentia o mesmo vento
que não advindo de um mesmo mar,
serpenteava para fora
do mesmo caixote branco e feio

mais um dia
diferente de outros muitos
em que os mesmos numerais
não se repetiriam
numa mesma data

mesmos dias iguais
em que o instante
ainda que heterogêneo
me ferroava, cômico

mesma sensação única
singular, mas
o tão conhecido
mesmo tédio.

 

 

 

 

 

 

 


QUANDO QUALQUER UM PASSA NO PSICOTÉCNICO

‘’Vagabundo!
É menos um!
Menos um!’’

Farda, venda moral
fantasia traiçoeira
escurece os olhos
com a carícia do poder
e oculta o podre
nas entrelinhas
da capa do herói

ainda, assim
tem quem preste.

 

INFERNO

 

Queima, com as brasas
que vão beijando dos pés, à cintura
o corpo em carvão;
e nos balanços chamuscados
da dança amarga, inférnica
acende um fumo na desgraça pessoal
como o desgraçado ri do tombo
como o sádico descasca a ferida
como o facínora renega a culpa
e se consola, apagando-o
nas cinzas do que
um dia foi.

de
onde vem
e como pode
uma beleza
tão atípica
em só 50mg
é pouco
mas ainda
me arrasta
pro plano
 onírico
e desfaz o nó
que me deram
acalma tanto, que
não me quebro
nem me rasgo
 e não engordo
tenho que
 engolir
me dá
 uma quina
pra bater 
a cabeça
só não
 desmaio
mas se durmo?
pra um caralho
não acordo
entro em coma
com essa dose
 de contra-loucura
santa padroeira
dos malucos
proteja-me
da sombra
do reflexo
e de mim 
amém

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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