Iael Aguirre
17, é estudante do Centro Educacional Anália Franco, em Cáceres. Oscilando entre o mais dócil mel e mais ferrenha tortura, como o resto da humanidade, o jovem poeta Iael Aguirre descobriu na veia poética uma excelente ferramenta terapêutica para dialogar com os próprios diabos, tal diálogo proveniente de leituras literárias e pesquisas escolares, sendo a mais recente,  estudos acerca da marginalização do meio artístico em sua cidade natal, sendo esta Cáceres-MT. Menino de muitas leituras e escritas, desde muito cedo embrenhava-se pelo gosto dos livros, sendo muito observado e incentivado em seu âmbito escolar pelas suas professoras de Linguagens, sendo as mesmas com o olhar sensível e atento, deu a este menino incentivos para se aproveitar da poesia, como leituras e tessituras como uma forma de acalentar suas inquietações.

PÉ D'ÁGUA FUNESTO

etéreas gotas do ipê divino
que nos respingos estrelam o chão,
caem no acaso, do choro das aves
acompanhados da ribomba do pai-trovão

águas que caem e afagam
virgens, verdes, matas do então;
chuva que vem e afoga
o corpo-seco, e o caixão

na gibosa da lúgubre boiuna
cobra-grande que açoita o leito do rio,
se agarram, os embargados, às escamas
com sede do acalento brio

tempo bom.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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