Helena Werneck

Cuiabana, formada em Secretariado no IFMT, e vencedora do prêmio de literatura de Mato Grosso de 2017 categoria revelação com a obra de título “Nu”.

ESTRANHO SERIA SE 

É estranho porque

Eu sei que tem coisas que se eu falar
Só você entende
E só você vai achar graça 
E é estranho
Porque eu sinto saudade
Sendo que eu te vi ontem
É estranho porque 
Se eu pudesse me teletransportar
Pro seu peito
Eu já o teria feito
Se eu pudesse ser os seus braços 
Que podem te abraçar toda hora
Eu me trocava agora
Sem nem pestanejar
Como tudo isso é estranho
Que eu gosto mais da sua comida
Que eu vivi sem toda vida
Do seu cheiro de creme de fruta
Da sua forte e singela conduta
Do jeito que você chora
E do jeito que você ri
Eu só sei escrever sobre ti
Só isso que não soa estranho
E também não soa estranho
Meu coração que te ama
Ele sabe que não se engana
Que você me ama também

 

 


PAU-BRASIL​​

Olho pro país e vejo
Com olhos molhados de percevejo 
Uma dor tão lancinante 
Tão feia e tão sufocante 
Pairando na fumaça escura
Parece que não tem mais cura
Pra essa tal de humanidade
Tem mais gente morando na rua
Do que nos prédios da cidade
Tem mais gente se vendendo, nua
Do que falando a verdade
Tem mais gente vendendo a lua
Pra poder ter liberdade
De que vale minha palavra?
De que valem nossas vidas?
Esse chão que você lavra 
Pagarão as suas dívidas?
E quanto a tantas dúvidas?
E quanto a tanta injustiça?
Que papel faz o ministro
Pra que então serve a justiça?
Quanto ódio nesse enredo 
Que ameaça desde de cedo 
Não existe mais paladar
Não sei se é doce ou azedo
É salgada com certeza
A minha lágrima de medo
E que mande outro dilúvio 
Faça chuva então São Pedro
Alaga toda essa terra
Apaga todo esse incêndio 
E faz outra vez o Brasil
Um que não haja dispêndio
E em vez de português 
Todo mundo nasce índio

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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