Gaspar Z’África Brasil
É letrista, poeta, escritor e e co-fundador do Z’África Brasil, um dos pioneiros grupos de RAP em São Paulo, criado na década de 90. Autor de O Brasil é um Quilombo e de O Nômade Vol. 1 - Projeto Hip Hop Rap Histórico (ilustrado pelo grafiteiro Mirage), gravou o trabalho RAPSICORDÉLICO (de qual participam nomes expressivos, tais como Zeca Baleiro, KL Jay, Emicida, Lirinha, Buia e Dexter). Gaspar é uma referência entre os mc’s da cena Hip Hop, destacando-se por sua agilidade e versatilidade em rimas com conteúdos ligados a valorização da cultura brasileira de matriz africana. Importante mc brasileiro, desenvolve atividades na zona sul de São Paulo.  

PERIAFRICANIA BRASILEIROZ 

Não tenha medo em dizer que tu é Preto 


Não tenha espanto em dizer que tu é Branco Não seja omisso em dizer que tu é Índio nos toca discos corre sangue Nordestino 
Antigamente Quilombos, Hoje Periferia O Esquadrão Zumbizando as origens Z ́Africania. Somos filhos de uma terra sagrada Qualquer Periferia, qualquer quebrada é um pedaço D ́África. 


Ideologia Quilombola ferve da Sul até o Nordeste. Z ́África o Clã Brasil nordestino espalhando a peste, O som é RAP, verso Embolada Alá Zeca Baleiro A explosão do beco conheça o grande Eldorado Negro. 


O mar guiou, a mata abraçou entre terras e mares os Orixás abençoou A senzala do passado se perdeu na escuridão com ela a dor do extermínio e da escravidão. 


Quiloas, Bantos, Monjolos, Kambinda, Mina, Angola Brasil, Cuba, Ruanda, Haiti, Jamaica, Etiópia Conquistas glórias, derrotas, vitórias de tantas batalhas traçadas Misturando raças com as marcas da velha África. 


Periafricania a resistência, lendas são lendas Queimem os emblemas, quebrem as algemas Zumbi é consciência, é o terror da tirania O inimigo número 1 e segue a profecia. 


No terrorismo, no Brasil do Coronelismo País dos dízimos, do capitalismo, do egoísmo reduzido em ismos E vamos indo contra a elite suportando como pode É forte o choque, sua Rota não destrói meu Hip Hop. 


Quero ouvir os tambores, as vozes, os rumores No paredão o som regando a PAZ, a Trindade Solano amores Tirei do Cartola, Leniniei as poesias Saquei um Garrincha e da Luz de Luiz fiz a melodia. 


A fusão, a toada de uma raça libertária, Sou Halí Salissié ou não é Diamba sagrada, Sou Múmia Abujamal destruindo as celas, Sou James Brown, Berimbral, Nino Brown, sou da favela, 


Sou Kingston, show no Capão, sou Marroon, Sou Subupira, balanço Lundu, som Jongo, sou um da Sul. Nos antigos mistérios da Quilombologia, Toda quebrada é quebrada na grande Periafricania 


Não tenha medo em dizer que tu é Preto Não tenha espanto em dizer que tu é Branco Nào seja omisso em dizer que tu é Índio nos toca discos corre sangue Nordestino 


Brasileiroz Nóis somos todos Brasileiroz eu sou Latino Americano Brasileiroz Nóis somos todos Brasileiroz 

A COR QUE FALTA NA BANDEIRA BRASILEEIRA
Gaspar Z’África Brasil e Theo Werneck 

E alí estava ela, hasteada, pra que todos pudessem ver as suas cores radiantes, simbolizando ORDEM e PROGRESSO e aos redores grandes quilombos periféricos Num lugar de guerreiros, cujo olhar vermelho 


É pela liberdade entre terras e mares Òh pátria amada, idolatrada salvem se salve. E do passado que restou, è rubro terror Como o vermelho de Xangô a cor do amor Que pulsa ao coração compassos de ódio e paixão Esparramando sangue ao chão Na eterna contradição de uma nação 


Verde amarela azul branca e vermelha São as cores que compõe a bandeira Brasileira Só que o vermelho não quiseeram botar É cor de sangue é cor de morte é cor de farsa 


É todo o sangue derramado nesses 500 anos É toda a história maquiavélica tramada nos nossos Mocambos A dominação de um fogo por ouro Foram sofrimentos de um povo que foram se acabando aos poucos 


Meus antepassados indígenas celebravam os Deuses Hoje me lembro que os Índios são poucos e só aparecem as vezes Quando são queimados vivos em praça pública Por uma raça sádica que faz um mal a sua cultura 


Luta, resistência, traçar a vida são batalhas A morte o salvamento Deus guiará suas almas Eram das matas, eram dos cantos Hoje os Índios são poucos mas significam tanto 


Isso é pra quem sabe pra quem tem raiz Por que sou Índio, por que sou negro por isso sou feliz Por ter esse sangue correndo nas veias Por ter nascido de três raças formada a Brasileira 


Habitada por Índios, construída por Negros 


Administrada por Brancos era nobreza herdeiro Era, era nada, era uma bandeira de gangues Falta o vermelho derramado por eles o vermelho do sangue 


Eu não me esqueço eu não me rendo Foram muitos erros foram muitos lamentos Que não há fortaleza que pague a dor a dor do passado Que não há receita que cura a dor da alma além da vida a dor do laço 


Que foi amarrado nos açoites nos arames farpados Na triste dor da luta é como a triste dor do parto Inevitável a lei da selva O sangue da criança nascida na senzala é a dor da época 


Se existiu um julgamento final ainda não foi divulgado É como sempre nesse país está certo o errado Esses assassinos serão julgados por Deus da mesma maneira E se afogarão nesse sangue a cor que falta na bandeira Brasileira

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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