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Gabriel Sanpêra 
Tem 24 anos e nasceu na cidade de Barra Mansa, no interior do Rio de Janeiro, mas sua família adotiva vive em Volta Redonda, cidade onde foi criado. Escreve e performa literatura sobre si e outros, construindo narrativas para fugas, resgates e futuros. Estuda Relações Públicas e também se atreve a dançar quando o corpo fica molenga com a saudade de casa. Autor de 2 livros, sendo um pela editora Urutau, e totalmente escrito em seu celular por falta de computador. O segundo e atual se chama A Ossada de um Moleque, onde reflete a vida por dentro da ossada de um boi.

PROS MEUS INÍCIOS

 

Que meus inícios sejam repletos de sementes.

Nelas se iniciam minhas plantações.

 

Pra que, no momento certo, me alimente

E o verde me nutra dessa espera que é ver saúde crescer em frente à casa.

 

Verde que é vivo e demonstra minha entrega

Entrega meu envolvimento e

Não esconde minha vontade de matar a sede das minhas colheitas.

 

Okô.

 

Um processo de transfiguração. A fome morre na calada da boca. O alimento decepa a boca do estômago e vivo eu.

 

Que brotem de mim plantações de abóbora

e que, no fim, eu seja a alimentação

rendendo nos pratos das famílias grandes.

 

Que eu seja o feijão ocupando espaço no prato

Que alimentou o menino que eu fui

Pão com feijão nas noites.

 

Okô.

 

Também posso demonstrar jiló nos pratos. Um tanto amargo de causar afastamento. Mas por dentro, ter intenções que trazem boas intenções. Nutrição.

 

Que eu proporcione bons momentos nesses domingos de ver os amores como um jogo de alimentação. Onde muitos vão à mesa e depois se retiram. Onde outros roem os dentes até não sobrar nada.

 

Onde outros, poucos, comem sem utensílios no mesmo local. Até que todos se alimentem juntos e encerrem a conquista do momento que é se alimentar. Um dom.

 

 

 

 

 

 

MEREÇO ABRAÇOS

 

em tempos de saudade

eu pensava em cada parte

de contato

abraços e mãos dadas

e me imaginei dentro de um abraço.

 

imaginei que é possível

sentir o calor

e a eletricidade dos pulmões grudados, respirando juntos e síncronos.

 

fechei os olhos

sem ansiedade

pra que, dessa vez, eu seja parte de um abraço

e me permita ficar lá dentro

sem pressa

ansiedade ou afobação

sem olhares ao nada no momento em que o outro traduzir as emoções em mim por meio de um abraço.

 

fechei os olhos

pois me notei um mar gigantesco

 

e percebi que os navegantes (que me aplaudiam na costa)

estavam como eu

desacostumados e sentiam assustados com tanto calor.

 

mas dessa vez

vou me permitir

mastigar os abraços

pois são pequenas aparições do futuro, em milímetros instantes.

 

pois se a gente se imagina lá

e na frente

provavelmente, se sente possuidor do dom de sonhar e projetar em longo prazo.