Fatima Nascimento
Vive em Munique há 25 anos. É escritora, ilustradora e educadora infantil. Fundou em 2013 a editora FAFALAG editora, na Alemanha. É autora de Die Seerose Alba (2013). 

O SONHO

Hoje , quando acordei, lembrei que tinha sonhando que estava comendo jaca. Sim jaca dura, acordei com a boca cheia d’água. Dai bateu uma saudade de casa, de Salvador Bahia, do Brasil! Foi lá que nasci e lá vivi com minha família.


Bateu saudade e aí vieram as lembranças das brincadeiras com as crianças da vizinhança, sempre à noite. De brincar com as galinhas, gatos e até com as formigas no quintal lá de casa, que minha irmã jurava que tinham casa como nós, com fogão e geladeira.


Saudade dos sábados, dia de feira. De mainha indo fazer as compras e trazendo os centos de mangas, laranjas e imbuns pra casa, onde a gente comia até não poder mais.


Saudade de passar os domingo de verão na praia, levando uma cesta com o almoço, geralmente galinha assada e farofa e só voltar pra casa no fim da tarde, feliz e cansada. Saudade de lembrar que na época eu nem sabia que tudo aquilo era felicidade!


Ah, comer jaca com as mãos. Jaca mole, jaca dura. Eu amava comer jacas, pois os lábios ficavam grudando um no outro, eu ficava querendo dar um beijo no menino mais bonito da rua e ficar com os lábios colados no dele pra sempre. Então vinha Mainha e dizia: “vai menina pegar alí a lata do óleo, abre e passa o óleo na boca, vai limpar esses beiços!” E lá ia eu pegar a lata do óleo e o sonho de ficar de boca colada no menino mais bonito da rua ia embora junto com o óleo.


Êta infância gostosa!! Cheia de coisas boas pra se recordar.


De vez em quando, quando chego do supermercado aqui em Munique, Alemanha, tenho uns dias assim de saudade do Brasil. Quando olho as frutas que comprei, manga e banana meio verde, frutas duras e sem cheiro e sem gosto. Daí dói um pouco lá dentro do peito. Então penso: “Êta saudade danada!!!

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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