Farah Serra  
Vivia uma vida normal até o dia em que resolveu pegar aquele avião que a levou até onde estão as histórias. Autora do livro “Fator Humano da Qualidade em Empresas Hoteleiras” (Qualitymark, 2002. Idealizadora e organizadora da “Coletânea Reedificações – Histórias de mulheres brasileiras que se reinventaram pelo mundo” (Fafalag, 2019). Integrante de diversas antologias. Para acessar os seus trabalhos siga-a no Instagram @farahserra

CAROLA​

Carola era uma mulher feliz. Vivia em Khrónos e levava uma vida tranquila. Bem, não tão tranquila. Ela não tinha tempo para pensar na morte da bezerra. As pessoas a achavam importante, havia mil coisas para fazer: trabalhos, projetos, atividades incessantes. Correria mesmo. Mas não perdia o ritmo, seguia com força e retidão, até que…


Até que, se encantou por um homem estrangeiro. Uma paixão avassaladora preencheu aquele espaço vazio que ainda existia. Não foi uma decisão fácil deixar emprego, casa, família e amigos. Contudo, lhe parecia digno viver ao lado do seu amor. 


Apaixonada, Carola se casou e se mudou. Uau, tudo lindo! Um começo inebriante. Esperta que era, logo aprendeu o idioma e cheia de energia deu de cara na porta: STOP! Destituída!


De repente ela se tornou a estrangeira casada com o Francesco De Luca. Este amado homem, possuidor de nome, sobrenome, curriculum e uma profissão, sem querer, a desacomodou do seu próprio eixo.


O fato é que Carola, mesmo tendo mudando de país, continuava vivendo no familiar ritmo das horas, ansiando em continuar “a todo vapor”. Ninguém a havia dito que as coisas mudariam também em seu ser – só lhe falaram do conto de fadas. Diante de tal choque, surtou. 


Presa ao velho paradigma viu o inverno chegar. Neste tempo, quem se apresentou foi a agonia com o seu abraço apertado. E Carola só conseguia dormir na esperança de que os dias melhorassem, até que...


Até que, chegou a primavera. Naquela manhã, em vez de suspirar, respirou. Carola se levantou da cama de cabeça erguida e, finalmente, se mudou para Kairós – no tempo certo e oportuno. Desde então, seguiu encarando todas as pessoas que não tinham tempo e nem disposição de entender as dificuldades do que lhe cabia. 


Ao renascer com as flores, seguiu levando a vida com os seus sonhos, ajustando suas expectativas e acreditando que muitas outras coisas boas ainda hão de vir. 

© 2019 - Revista Literária Pixé.

  • Facebook