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Emerson Persona
Tem Graduação Superior em Pintura e Especialização em História da Arte Moderna e Contemporânea, ambas pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (2009). Possui Mestrado em Tecnologia e Sociedade pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2017). Doutorando Tecnologia e Sociedade pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

DO QUE SÃO FEITOS OS ARTISTAS, AFINAL?

É difícil responder a esta pergunta sem procurar entender o contexto de onde eles partem, claro que podemos incluí-los numa categoria nada comum:  Questionadores da sociedade através da sua produção imagética. 
Afinal vivemos em um mundo dominado pela imagem. Portanto pensar o artista como propositor de mais e mais imagens é vê-lo como um agente dentro de um sistema cruel de descarte, segregação e acúmulo, ledo engano, o artista esta dentro do sistema para corroê-lo por dentro, para questioná-lo e sobre tudo para nos fazer refletir sobre toda a barbárie de ações e políticas que são perpetradas diariamente sobre nossas cabeças em diferentes contextos.
A representação do corpo adquire na contemporaneidade um inegável desejo de ser visto e apreciado principalmente no contexto social, muito disto reforçado pelas novas redes sociais e no rápido desenvolvimento tecnológico. As diferentes práticas corporais produzem sujeitos expostos aos olhos do mundo e muitas destas imagens não correspondem à realidade, mas sim são construções dionisíacas, cenográficas mediadas pelo desejo de parecer jovem, belo e de frenética atuação social. Portanto o corpo idealizado se torna uma realidade virtual onde uma sociedade perfeita é construída, idealizada e desejada.
Sendo assim nestas imagens não existe lugar para o erro, a fome, a degradação, a falta de beleza.
E então temos a obra de Sandro Giordano. 
O artista italiano constrói em suas fotografias uma forte ação sobre diferentes sistemas políticos, sistemas estes fortemente enraizados em nossa sociedade, sobre tudo na representação do corpo e do espaço social. Em Giordano o espaço da fotografia é lindamente organizado com seus elementos compositivos,  ali um corpo, uma maçã, uma folha ou uma garrafa de vinho não esta acidentalmente dispostas, mas sim meticulosamente colocados no espaço para nos dar a impressão do caos, e é neste caos que Giordano organiza e compõe com requintes de belíssima crueldade. Ali corpos magros, brancos, consumistas e hedonistas estão sujeitos à queda (ou tombo) em seu local de privilégios, assim podemos dizer que existe nas quedas propostas por Giordano uma quase humanização destes corpos. É caindo que estes corpos mostram sua vulnerabilidade, inadequação e desalinho. 
Sendo assim, são conclusivas nas quedas retratadas por Giordano a nossa fragilidade, estamos sujeitos a não dominar totalmente o nosso destino, estamos constantemente passivos e sujeitos a exposição e ao ridículo. Esta vulnerabilidade representada pelos corpos anônimos, afinal o artista não mostra seus rostos, coloca os sujeitos em situação oposta a sua realidade, mesmo que cercados pelo cotidiano da vida usando Prada ou  bebendo veuve clicquot estes corpos são subjugados.  
Sandro Giordano e sua arte constantemente esta nos mostrando que não passaremos impunes aos nossos vícios, a nossa arrogância e insensatez. Quando alguém cai um anjo torto ri.
Afinal até os deuses caem, e porque não dizer, por vezes queremos isto.