Eduardo Mahon

42, é carioca da gema, advogado e escritor. Mora em Cuiabá com a esposa Clarisse Mahon, onde passa sufoco com seus trigêmeos: José Geraldo, João Gabriel e Eduardo Jorge. Autor de livros de poemas, contos e romances, publica pela Editora Carlini e Caniato.  

PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS BRASILEIROS

Caríssimos seguidores e simpatizantes, 


Tirei um tempo para escrever essa cartinha, aproveitando que o meu aniversário está chegando. Antes de tudo, devo dizer que não autorizei nenhuma biografia e que reputo como ilegal a publicação de bíblias e folhetos distribuídos em missas e cultos. O Roberto Carlos conseguiu vetar a distribuição de um livro que contava a história de como ele ficou sem a perna, mas Eu não tenho o mesmo tempo que ele. Sou favorável à campanha “Procure Saber” que a Paula Lavigne comanda, muito embora Eu não goste da nova fase do Caetano Veloso, mas isso é outro assunto. 


Quero dizer que amei o especial de Natal da turma do “Porta dos Fundos”. O pessoal é muito animado. Maomé rolou de rir no meio das 72 virgens. Não é pra menos, né? Todos os avatares do Pai também amaram. Com exceção de Buda – aquele sujeito sem nenhum senso de humor – todo mundo aqui no Céu roeu as unhas na pré-estreia. É óbvio que Eu já conhecia o filme antes mesmo dele ser feito e, por isso, liberei geral. Ficou Uó! Tenho poucas críticas a fazer. Uma delas é ao figurino do Fábio Porchat.


Falta brilho no manto do Porchat! Pelo amor de Mim! A produção poderia ter colocado por cima uma seda chinesa, um chiffon turco ou, no mínimo, um algodão egípcio. Estou passada! O Tinhoso só usa algodão egípcio 1.500 fios, daqueles que a gente encontra na casa dos Ministros do STF. Nada contra o veludo cotelê vermelho, mas pouca gente sabe que o Inimigo odeia o vermelho. Muito óbvia! Com aquela mania de Me imitar, o Capeta só usa branco. No máximo, azul bebê. Paciência. Aguento essas péssimas imitações há dois mil anos. Tem muito pastor falando em meu nome. Esse povo que é ex-ladrão, ex-traficante, ex-assassino, ex-gay e se converte... Cala-te boca!


Pelo menos, no especial de Natal, o Gregório Duvivier não tem olhos claros. Ficou mais real. Taí, gostei! Cansaram de me pintar branquinho de olhos azuis. Já viram algum judeu assim? Jamais. Mamãe era puro-sangue, tinha o nariz adunco e sobrancelhas grossas. Um escândalo de mulher! Parece que voltou com tudo sobrancelhas grossas, hein? É o que Eu sempre digo aqui no Céu: o Pai precisa variar de vez em quando. Por isso, ele manda essa porção de mensageiros para ver se a turma se toca. Patriarcado? Oi?! Vira o disco, bicha! Já mandamos a Madre Teresa de Calcutá e a Irmã Dulce e nem os politicamente corretos conseguiram mudar a humanidade. Vira a página!


Além do manto, o problema do filme está nas sandálias. Im-per-do-á-vel! Uma simples pesquisa de produção resolveria esse erro. Gente, o Google está aí pra quê?! Na época, Eu usava umas sandálias da Galileia. Tamanho 38, bico fino. Elas vinham com couro trançado até o joelho. Causavam! Infelizmente, ninguém produz hoje em dia porque é ecologicamente incorreta. Sem os chatos do Greenpeace, Eu e meus discípulos abusávamos. Na trouxa, a gente levava dois pares: um de cânhamo nude para usar no dia a dia e outra de couro de cabra marrom-chocolate, para eventos especiais como aquela entrada em Jerusalém, um arraso. Não foi a glória? Bafo!


Bem, era isso. O filme é ótimo. Recomendo! Um errinho aqui e outro ali, mas nenhum pecado mortal. Já estava de saco cheio de ver Os Dez Mandamentos. Dia desses, rolou um filme do Edir Macedo que francamente! Bom, mas não serei Eu a bancar o crítico. Aqui no céu, nunca entrou esses tipos. Está cheio de artistas. Para eles, a diária celeste é all inclusive! Pedro é doido. Ele pira na batatinha. Deixou entrar até aquele sujeito estranho, o Marcel Duchamp. Onde passa um boi, passa uma boiada. Quem pinta o sete na Terra, sobe pra cá. Crítico não, Eu proíbo! Uma hora dessas, a Bárbara Heliodora está ardendo no mármore do inferno, junto com aquele comunista do Antônio Cândido. 


Fico por aqui, desejando um Happy Birthday to Me! Vocês poderiam parar com a polêmica idiota nas redes sociais e tirar uns trocados do bolso para dar comida a quem precisa. Alô?! Se toquem! Parem de pagar dízimo e comecem a fazer o bem. Xô, intermediários! Gente, agora tem Amazon, tem Uber, tem iFood. Até o Habbib’s não paga mais entregador. Dispensar o sacerdote é tudo de bom. Fica mais em conta. Juro! Fala amém, gente! 


Vou indo. Me sigam!


Estou no Insta, no Face, no Twitter, ok?


No Tinder, a minha conta é outra, abafa o caso!

Fiquem Comigo,

Yeshua
(Eu aderi ao novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Passei a usar Jesus Nazareno. É mais fácil e comunica melhor)

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