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Divanize Carbonieri

Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora de literaturas de língua inglesa na Universidade Federal de Mato Grosso. É autora de Grande depósito de bugigangas (2018), selecionado no Edital de Fomento à Cultura de Cuiabá, e de Entraves (2017), vencedor do Prêmio Mato Grosso de Literatura na categoria Poesia. Foi finalista do Prêmio Off Flip 2018 (Poesia) e selecionada para a antologia poética no 3o Concurso Lamparina Pública em 2016. É uma das editoras da revista literária digital Ruído Manifesto.

PANTERA

quano dava na veneta eles ia lá e matavo as muler e de tanto matá elas eles foro garrano gosto pela coisa então era muler matada espetada mulher matada queimada muler matada esguelada muler matada de tudo quanto é jeito uma coisa que eles sabia fazê bem era matá muler e matavo sem dó nem piedade quase todas morria de crista erguida má teve umas que na úrtima hora gritaro que ia fazê tudo que eles queria nisso eles pensaro nossa vai sê muito bão se nóis ponhá essas muler pra fazê tudo pra nóis ponhá elas na lavora ponhá elas pra cuidá da criação ponhá elas pra cozinhá a comida pra nóis vai sê muito bão pruque daí nóis descansa mais nóis come dorme e num se força tanto mas deixá elas anssim sorta no meio deles eles tinha medo tamém então foi aí que eles inventaro que elas tinha que estimá eles inventaro esse negócio pruque se elas fosse odiá eles como eles merecia era perigoso né pruque elas podia se vingá e matá eles enquanto eles dormia elas veno que era o jeito aceitaro mas era mentira né as muler mentia muito falavo que estimavo eles e eles ia acreditano má daquele jeito deles ia acreditano e surrano ao memo tempo e de noite prendia elas então elas começaro a menti cada veiz mais e foi tanta mentira tanta fingição que inté elas ficaro confundida teve hora que elas acharo que tavo estimano eles memo má como é que vai estimá quem só qué matá ocê num tem como má elas tavo confundida né pruque elas já ia nasceno no meio daquilo tudo então já ia achano que a vida era anssim memo elas acostumaro a obedecê sem recramá a num falá sem sê preguntada a num tê vontade nenhuma por drento tinha sim má fazia de conta que num tinha e eles foro perdeno o medo delas e num prendia mais elas de noite e elas passaro a dormir junto com eles má elas num lembravo mais que podia matá eles que eles merecia de sê matado por elas daí passô muitas estação inté que teve umas que começaro a fazê umas coisa que eles num entendia elas gritavo como que tavo morreno elas se debatia tremia babavo tinha umas que paravo de comê que paravo de bebê às veiz nem engoli mais elas conseguia eles ficavo sem sabê o que fazê pruque era uma reberdia que eles num esperavo né isso nunca que eles tinha visto e elas num prestavo mais pra fazê nada num tinha mais serventia pra eles e daí pra não lastreá a peste pras outra que inda tavo sã eles pegaro essas daí e jogaro tudo num fosso pra elas morrê lá drento e de noite eles só ouvia os urro delas urro de fera servage memo inté que acostumaro e tudo foi quietano um dia um deles entrô na mata e num vortô mais os outro foro procurá e acharo só umas parte dele como que mastigada por um bichanão o segundo que sumiu quano eles acharo tava uma pantera comeno ele uma pantera de lombo tudo pintado e quano ela viu eles antes de corrê ela urrô de um jeito que fez eles tremê nas perna então eles foro vê e o fosso tava vazio nem ossinho tinha ali nem sinar das muler e daí hoje em dia nóis sabe pruque que tem pantera que come omi quano ele tá desguarnecido nessa terra né