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Divanize Carbonieri  
é doutora em letras e professora de literaturas de língua inglesa na UFMT. É autora dos livros de poemas Entraves (2017), Grande depósito de bugigangas (2018), A ossatura do rinoceronte (no prelo) e Furagem (no prelo), além da coletânea de contos Passagem estreita (2019).

TRECHOS DO LIVRO “NOJO”

(...) você é muito testuda bom era cortar uma franja logo pra esconder esse paredão aí olha nem dá pra acreditar a cara quase que é só testa fica muito esquisito o resto do rosto é um terço da testona testa grande pode ser sinal de inteligência mas de beleza com certeza não é e com esse cabelinho ralo nem dá pra cobrir tudo eu tenho a testa pequena teu pai tem a testa normal não sei por que você veio com esse testão a quem você puxou deve ser a família do teu pai que ali tem cada jaburu mas testa grande igual a tua ninguém tem isso daí realmente é privilégio teu quando deus distribuiu testa você passou seis vez na fila pior que testa nem dá pra operar que plástica que vai fazer pra diminuir testa diz que na coreia tem umas que raspa o osso pra deixar o rosto mais ajeitadinho se tivesse aqui no brasil eu pagava pra você porque essa testa aí é um atraso na tua vida 
(...)
só sei que pra minha mãe pior coisa no meu corpo é a minha testa mas eu nem ligo muito pra ela tá certo que também não acho bonito mas outras coisa me incomoda bem mais tipo a bunda por que eu precisava ter uma bunda tão grande como essa tão chato porque chama muito a atenção quando eu vejo tá lá sempre um homem olhando pra minha bunda me dá vontade de sumir queria tanto ser reta coisa mais chique é ser magra e reta como uma régua mulher intelectual é assim curva é coisa de mulher burra pode prestar atenção quanto mais ignorante mais justa e curta é a roupa e tem essas que usa shortinho com umas coxa enorme camiseta de alcinha com os bração de fora tudo umas sem noção dá até aflição um nojo esse tantão de corpo aparecendo o tempo inteiro tem que olhar pra isso como se fosse normal essas sobra de carne e principalmente banha quanta banha meu deus do céu...

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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