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João Bosquo Cartola

Poeta, jornalista e licenciado em Letras/UFMT, mora e trabalha em Cuiabá. Como jornalista atuou nos jornais O Estado de Mato Grosso, A Gazeta (Cuiabá), em 2001 editou o semanário A Notícia (de Cáceres); presidente do Sindicato dos Jornalistas (1995-1998) e desde 2002 trabalha como assessor de imprensa, até janeiro de 2015, como repórter da Secom/MT, entre 2015 e 2017 volta à redação como repórter do *DC Ilustrado*, caderno de cultura do jornal Diário de Cuiabá, atualmente trabalha como freelancer. Morou em Curitiba, onde publicou o livro *Abaixo-Assinado* (1977) em parceria com L. E. Fachin. Em Cuiabá novamente, os livros *Sinais Antigos* (1981), *Outros Poemas* (1984), *Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol* (2006) e *Imitações de Soneto* (2015). Participou das antologias *Abertura* (1976), *Panorama da Atual Poesia Cuiabana* (1986), *A Nova Poesia de Mato Grosso* (1986) e *Primeira Antologia dos Poetas Livres nas Praças Cuiabanas* (2005); com Abdiel ‘Bidi’ Pinheiro Duarte editou o alternativo *NAMARRA* (1984/86) e coordenou o projeto *POETAS VIVOS* (1987/88), da Casa da Cultura de Cuiabá.

CAFÉ DO ANO NOVO

Estou aqui. Bebi o café quente do ano novo, lembrei-me de pessoas e dum livro de poemas lidos quando queria ficar triste, mas alegre permaneci olhando para fora da janela do próprio tempo.

Contar o tempo quando se vê no espelho do banheiro, ao fazer barba de pelos brancos, é obrigação diária sem se exaltar, sem desespero, sem indignação vária.

Estou aqui, neste mesmo recinto que me verá quiçá, centenas de anos, procurando palavras nesta inglória luta com a linguagem materna entre o sentir e o papel em branco de poesia...

Este meu recinto, sinto, precisa de limpeza interna: menos egoísmo, mais compaixão e decisão na busca pra superar o Pantanal desta minha humanidade.
 

DE TAPETES, PÁSSAROS E PEIXES!

Ninguém mais se lembra dos tempos
belos tempos, que o povo andava
de tapete voador aos pares de ares
e descia em qualquer estação do ano

Voar nestes tempos, até passarinho
com asas cansadas, prefere andar
nas calçadas mesmo correndo risco
de, num momento, ser atropelado

- O tempo voa! De regra todos dizem
meio que sem entender o que é dito,
e o tempo se desfaz na corrida do dia-a-dia...

Não possuo asas, nem tapete voador...
Contrariamente tenho nadadeiras
e vou sereno pelos rios até o Pantanal.