Carla Adriana Almeida Pigarro
É Natural do Paraná, é graduada em Letras e Design de Interiores pela UNIGRAN. Reside fora do Brasil há doze anos, atua como assistente administrativa, tradutora e revisora de textos em Londres. Não foge de uma boa conversa acompanhada de um bom café, e se finalmente organizar seus pensamentos, pretende escrever um livro ainda neste século.

DE PIJAMA, NÃO!

Me disseram que minha vida mudaria, que tudo seria maravilhoso, mas teriam dias que ficaria de pijama o dia todo. Oi? Eu, como uma boa aquariana, tracei uma meta, rotina ou o que seja, mas sem pijama, com três meses de gestação. Só pode ser influência do meu signo.


Após o nascimento da minha filha, coloquei em prática meus planos, recusando-me ficar mais que quarenta minutos sequer de pijama, cobrando-me arrumar a cama assim que levantasse, e entre uma mamada e outra, preparar o café e seguir com a rotina. Tudo andando conforme o planejado, como uma heroína da rotina “mãessacrante”, até que resolvi retornar ao trabalho. Opa! Mãe, mulher e trabalho. Novo plano em vista. Coloquei o signo em ação e tudo seguiria como os ingleses dizem, “smoothly”. No meio do caminho, percebi algumas estranhezas do cotidiano como a combinação de roupa social e pantufa. Esperando pelo ônibus, comecei a suspeitar que algo estaria fugindo do controle, mas como? Onde estava o erro da conta que não fechava? A explicação veio em uma sexta-feira chuvosa de outono. 


Acordei com aquele cheirinho maravilhoso no meu cangote resmungando por um mamá, e logo vi que meu cabelo acordou festejando a chuva, a fralda da filha vazada com ela em nossa cama, enquanto o marido dizia querer dormir quinze minutinhos a mais. Ótimo! Bom dia sexta-feira! A soma de não conseguir arrumar a cama mais lavar o cabelo me agoniava. Lembrando-me da sexta-feira, resolvi interagir, brincar com a filha, preparar o café e correr para o banheiro, e em cinco minutos cronometrados, passar um shampoo seco no cabelo, recomendado pelas mães de pijamas. Depois de terminar de usar o tal do shampoo seco, deparei-me com o frasco de desodorante na mão. Sim! Havia passado exageradamente desodorante em todo o cabelo. Era uma mistura de crise de riso com choro, muito choro.


É! Realmente somos prisioneiras de nossas escolhas, escravas das consequências de nossas conquistas. Passamos anos lutando pela liberdade, pela igualdade, para podermos provar o melzinho da autossuficiência e nos orgulharmos da nossa independência, mas naquela sexta-feira, entre uma coçada e outra na cabeça, perguntei-me como seria passar o dia de pijama?

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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