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Bruno Oggione
Nasceu em 1990 na cidade do Rio de Janeiro. É graduado em Letras (UERJ), mestre em Literatura Portuguesa (UERJ) e doutorando em Literatura Portuguesa (UERJ). Autor dos livros Mãos de Ninguém (pequenas astúcias) (Editora Morandi) e Velas pandas, andas... – Ode Marítima e Os Lusíadas (Folio Digital). Tem trabalhos publicados nas revistas Mallarmargens, Aboio, Ruído Manifesto, Torquato e Tamarina.

A SEGUNDA QUEDA

era como o poeta nascido da eternidade
confundindo sua voz com os séculos de morte
e no vasto sobressalto dos sentidos obscuros
continuava batendo suas palavras

 

criados ao sortilégio das ondas
a honra e a orgia
eram em si dores
mas terrenas breves
ideias
refletindo o desastre

 

e os blocos de granito
da ascensão dos voos no futuro
eram os espantos da vileza
nascendo numa blasfêmia hostil
a queda dos negrumes

 

 

 

 

 

 


FUGA

estante
negra

uma via branca
voo ou
pluma-estertor

ilha de resina
crinas prateadas (
homens em todos os
navios)
mais os braços
das bailarinas
ressoando
bailando a contratempo
(contra o tempo # o músculo
essa estante baça
livro virgem
espelho tátil de
amarguíssima
velha coluna)

o descobrimento: uma manhã de outono

(descendo pelas estradas
em fuga)