Augusto Krebs
Nascido em 1992, natural de Chapada dos Guimarães, é músico, compositor, arranjador e produtor musical, se arrisca nas letras e audiovisual. Graduando do bacharelado em Regência na UFMT, já atuou como guitarrista nos trabalhos de Karola Nunes, Mariana Borealis, PachAna, Gabriel Carmo, foi integrante do grupo de percussão [re]Percute UFMT e atuou como formador de Sonoplastia na MT Escola de Teatro no ano de 2019.

VÊNUS

(Para Ana Flávia Guimarães)
 

 
Ermo som que palpita em minhas retinas
te vejo e te escuto no escuro de poros 
no poder óbvio de coisas
na ferrugem, no sabor
no latim
- sangue nos corais
cintilando girassóis de boa noite
para dar bom dia,
na abóbada escura e celeste de nossas cabeças
batendo à porta dos ouvidos de outras pessoas
Um abraço que cabe ao quarto
mas não às vias públicas
nem quando bem se quer
e a gente sabe
a gente sabe da ciência e da razão para tatear
tudo o que nossa incapacidade e miséria com muito custo alcança
uma história possível a um espaço circunscrito
- guepardos estirados no chão de minha sala
e como guepardos estirados num cochilo preguiçoso que não existe ao resto da vida.
- a onda não receia quebrar
investe para que todos a vejam e pressintam
a presença de um acontecer infatigável
Cantasse a força de mil cantos, 
as aves que entoam o sol e sua beleza
devastando a dorminhoca escuridão dos telhados
meu desgosto não impedirá as madrugadas,
a manhã e seu tamanho
nem mesmo seu destino de galgar ranhuras nas gargantas do poente
É primavera a prece do meu peito
a navegar os astros
imergindo na certeza itinerária de morte e cigania
da noite Eterna
e me pergunto se finda o caminho o cintilar de uma estrela
se quando teu cheiro me ronda, é tua presença que me orbita
mesmo longe, não finda.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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