Angela Cardoso
Nascida no Rio de Janeiro, é bacharel em direito pela UERJ, diplomada em Análise de Estudos Europeus pela UCL, na Bélgica, e Contabilidade e Auditoria na Chambre Belge des Comptables. Colabora em projetos que falem da língua portuguesa, uma grande paixão.

Todos aqui, por favor! Agora! Onde? Na sala grande! Por que? Venham e vão saber!


Obrigado por terem vindo. A hora é grave.


Mas como assim? O que se passa? Algum vírus? Um furacão? Um terremoto?


Amigos, silêncio. Chamei aqui com urgência para essa reunião porque sinto que estamos nas últimas. Só mesmo um milagre poderá nos salvar. Como já notaram, nas ruas a violência é a nova rainha. O Caos entrou no poder e nomeou como monarca esta senhora. Ela manda em todos os lados. E como o Caos tem muitos seguidores não estou conseguindo achar nenhuma ajuda para nos proteger. Por isso convoquei todos aqui. Juntos, acharemos alguma alternativa.


(Um silêncio pesado se instalou) 


E aí o Orgulho falou: PRECISAMOS REAGIR E RÁPIDO! 


A Justiça, que já andava pele e osso, pediu a palavra e disse: amigos, eu já não tenho forças. Abusaram da minha cegueira para que, em meu nome, esta monarquia entrasse em campo. Não tenho mais como sair às ruas. Ninguém mais me ouve. Eu já estou condenada. Salvem-se como puderem.


Liberdade, que estava com os olhos esbugalhados sem saber pra onde ir gritou ao organizador daquele encontro: MAS ENTÃO VOCÊ QUE SABE TUDO, POR QUE NÃO FAZ ALGUMA COISA?


Bom Senso, que já tinha os olhos marejados de lágrimas disse: Ah, Liberdade, a senhora acha que eu não tentei? Gritei, chorei, ainda grito, mas ninguém me ouve.


Do lado de fora, uma criancinha ouviu aquela discussão e entrou. Todos os presentes, Liberdade, Bom Senso, Justiça, Orgulho, Solidariedade, Alegria. Todos olharam para aquela criança. 


Ela respondeu: eu sou a Esperança, não abandonem não, vou crescer e vocês vão voltar.


Assim, naquele dia, saíram da sala todos juntos e agora estão espalhados pelo país. Tomara que a menina Esperança cresça logo, concluiu a Bandeira que ficou no canto ouvindo e sonhando com o nosso Brasil.

© 2019 - Revista Literária Pixé.

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