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Olga Maria Castrillon-Mendes 

É professora e pesquisadora da literatura brasileira. Autora de Taunay viajante: construção imagética de Mato Grosso (Cuiabá: EdUFMT; Cáceres: EdUNEMAT, 2013); Discurso de constituição da fronteira de Mato Grosso www.unemat.br/editora, 2017 e Matogrossismo: questionamentos em percursos identitários (Carlini & Caniato, 2020).

AFINAL, ARTE PARA QUÊ?

Definir arte é estar entre frestas e arestas da história, da filosofia, das fronteiras postas pelas áreas. O conceito é tão antigo quanto a herança ocidental que nos constituiu. Os gregos cultivaram o ideal de perfeição, harmonia, equilíbrio e graça. Simetria e proporção fizeram Platão colocar o conceito no mundo das ideias, separado do mundo concreto. Então o Belo (assim mesmo grafado em maiúscula) se ligava ao homem, portanto, uma fabricação humana, intrínseca à arte entendida como obra-prima, portanto, para poucos. Na filosofia, o estudo da beleza é conhecido como estética. Do latim emprestou a noção de técnica, habilidade. Então, um fenômeno artístico que desperta sentimentos, noção que alimentou o século XVIII e a estética cunhada pelo filósofo Baumgarten. Hegel aprofundou o conceito com a noção de belo artístico e belo natural que Kant deslocou do indivíduo, colocando-o no objeto. E por aí o conceito foi-se deslocando historicamente da mimesis platônica ao desfoque, desmanche da imagem, ilusão de ótica e por aí afora. Hoje o conceito de arte engloba, inclusive, o meio digital. 
É lícito, portanto, questionar, a que caminhos podem levar um debate sobre arte, no contemporâneo? Como compreender o universo artístico múltiplo e os novos paradigmas que a arte impõe aos olhos, muitas vezes, presos à imitação? 
A proposta da união entre a arte pictórica e a palavra literária desenvolvida pela revista literária Pixé leva à abrangências interdisciplinares que contribuem para adentrar em tais questões. A revista é inovadora e transcende o lugar comum. Não se localiza; pelo contrário se faz nas fronteiras entre as áreas e rompe os limites do regional, mesmo estampando um título ligado à tradição local. Costuma causar espanto, mas é justamente por esse aspecto que promove a reinvenção e desacomoda o espectador. Porque digo isso? Primeiro porque ninguém se livra das teorias avós que recebeu, como fala Mário de Andrade; depois, toda mudança tende a ser gradual para, em abandono daquilo em que se acredita, abrir-se para o “novo”. As implicações que advêm desta prática são, comprovadamente, salutares para a vida toda. Como dizer/mostrar/tornar possível os caminhos percorridos pelos conceitos? 
Se ao leitor são dadas condições de ler/ver com liberdade, ou despertar a subjetividade, os paradigmas são ressignificados e acatados tanto e eficazmente, se houver a crença nele. A apropriação pretende ser de dentro para fora, ou seja, da vertical absorção à experiência: um mundo à parte, pessoal, intransferível e nos trânsitos (im)possíveis. Será?!