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Aclyse Mattos

É escritor e poeta. Flor de metal foi escrita no Rio de Janeiro na época em que o Peça Original ensaiava na Ilha do Governador para tocar no Planetário e sobre a noite esfumaçada na Avenida Brasil a lua quicava sobre os prédios ao sabor das curvas. Livros recentes: O Sexofonista (contos), Sabiapoca (infantil) e Festa (poesia).

NO PAPO
Para Manuel Bandeira

O papo dos sapos
na beira do pântano
celebra essa lua
que branca flutua
no véu da lagoa
debaixo das patas

 

No céu pirilampos
(que palco esse pântano!)
remexem seus fachos
e a lua de baixo
- com rabiscos de luzes –
mais linda flutua
que a lua de fato

 

É tão baixa a altura
tão chã poesia
que a língua dos sapos
se estica e captura
e retira do campo
essa luz: pirilampo

 

Não vaga mais lume
não luz nesse campo
o verso foi língua
agora é só trampo
(que imagem projeta
um canto sem canto?)
Fugaz aventura
(aqui jaz pirilampo)
sonhar que algum sapo
enxerga seu rapto
(olhar o seu rabo
não é para o sapo)

 

E assim se deslinda
o lume que finda
fugaz fogo-fátuo 
poema de fato
Já foi? Ou não foi?
Já foi? Tá no papo.