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Aclyse Mattos
É escritor, poeta e professor da Faculdade de Comunicação e Artes da UFMT. Livros publicados: Motosblim: a incrível enfermaria de bicicletas (infantil – 2019) O sexofonista (contos - 2018), Sabiapoca – Canção do Exílio sem Sair de Casa (infantil – 2018), Festa (poesia – 2012), Quem muito olha a lua fica louco (poesia – 2000).

PARQUE LAGE

 

Ambientar um conto no Parque Lage:
aquelas paredes úmidas, tomadas pela vegetação,
aquela mata em plena cidade bastando transpor um portão.
Os muros, as ruínas, os cipós.
A cidade que pulsa além-muros e o parque mudo de árvores.
Noite. Os agitos da Geração 80.
Havia uma decoração na exposição: A Sala da Diva! Com óperas de Verdi minando pelas paredes.
Um aquário de sapatos. 
Borrões sobre a mesa de gravuras.
O parque mudo de árvores dentro do escuro da noite.
Um banheiro de filme policial.
Uma diva nua escorre sangue de seus braços no ladrilho do piso.
Um sangue vermelho borrando o chão branco.
Como as mesas das gravuras, como as messes das ovelhas.
Sacrifício!
Suicídio Assassinato Paixão
“Faustino canta no coral da empresa.”
O cofre com olhos.
Noite de chuva.
Esqueci de contar: começou a chover.
Óperas de Verdi minam das paredes verdes de musgo.
A garganta da diva cortada.
Contas de pérolas rolam no chão.
Tudo começa normalmente.
Faustino canta no coral da empresa.
Gatos, guardas e namorados passeiam pelo parque.
Quando vem a noite: tempestade chuva.
Oficinas de serigrafia serão sinas?
sinais grafismos grafitis rabiscos.
Mulheres que não podem se encontrar.
O culpado é sempre o mordomo.
Talvez o Faustino.
Talvez a camareira da diva que ainda tem os cabelos úmidos.
Ela disse que saíra na chuva.
Alguém desliga esse Verdi.
Onde estará o mágico?